13 de julho de 2012

O 'cântico da morte'. Ou: qualquer asinha de grilo dá uma sopa.

Tempos bicudos
Ontem (12), o jornalista Ilimar Franco publicou a nota abaixo em sua coluna:
O que é isso?!
Soldados do quartel do 1º Batalhão da Polícia do Exército, onde funcionava o Doi-Codi na ditadura militar, corriam ontem pela manhã na rua Barão de Mesquita, no Rio, cantando: "Bate, espanca , quebra os ossos. Bate até morrer". O instrutor então perguntava: "E a cabeça?". Os soldados respondiam: "Arranca a cabeça e joga no mar". No final o instrutor perguntava: "E quem faz isso?". E os soldados respondiam: "É o Esquadrão Caveira!".

Ilimar Franco (O Globo)/montedo.com
Ontem mesmo, os 'democratas' do PSOL repercutiram o assunto no Congresso:
PSOL cobra explicações sobre 'canto' de soldados do Exército
BRASÍLIA - O líder do PSOL, deputado Chico Alencar (RJ) , cobrou nesta quinta-feira do Ministério da Defesa explicações sobre o canto de soldados do 1º Batalhão do Exército publicado hoje na coluna Panorama Político. Na avaliação do deputado, o fato representa “ clara indução à violência e ofensa”.
De acordo com a coluna, soldados corriam na quarta-feira pela Rua Barão de Mesquita, na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, cantando: “Bate, espanca, quebra os ossos. Bate até morrer”. O instrutor então perguntava: “E a cabeça ?” Os soldados respondiam: “Arranca a cabeça e joga no mar”. No final o instrutor perguntava: “E quem faz isso?”. E os soldados respondiam: “É o Esquadrão Caveira”.
Em nota, Chico Alencar informa que além do requerimento de informações pede “o fim imediado da entonação desdes brandos em toda e qualquer unidade das Forças Armadas”. Também será encaminhada denúncia à Comissão Nacional da Verdade.
A Comissão de Direitos Humanos da Câmara divulgou nota de repúdio face às denúncias divulgadas no GLOBO e no jornal “Correio Braziliense” - sobre vídeos postados no YouTube por supostos policiais militares do Distrito Federal, que fazem apologia a violência ao exaltar os excessos praticados em operações especiais.
A comissão reitera que o conteúdo das denúncias “confronta princípios da nossa Constituição e dos acordos internacionais de Direitos Humanos dos quais o Brasil é signatário” . Também pede explicações e adoção das providências cabíveis sobre o caso. Na avaliação dos parlamentares, os fatos revelam a “existência de setores saudosistas da ditadura militar”.
EXTRA/montedo.com
Rapidinho, o Comandante do 1º BPE tratou de se explicar:
Batalhão da Polícia do Exército vai apurar ‘cântico da morte’
Soldados de quartel no Rio corriam pelas ruas da Tijuca bradando ‘bate até morrer’
RIO - O comandante do 1º Batalhão de Polícia do Exército, coronel Aroldo Cursino, vai abrir sindicância para apurar o comportamento de um grupo de militares durante uma corrida na Rua Barão de Mesquita, no Rio. De acordo com informações divulgadas nesta quinta-feira por Ilimar Franco, no Panorama Político do GLOBO, soldados do quartel, onde funcionou o DOI-Codi na ditadura militar, correram na quarta-feira pela manhã na Rua Barão de Mesquita, na Tijuca, cantando: “Bate, espanca , quebra os ossos. Bate até morrer”. O instrutor então perguntava: “E a cabeça?”. Os soldados respondiam: “Arranca a cabeça e joga no mar”. No final o instrutor perguntava: “E quem faz isso?”. E os soldados respondiam: “É o Esquadrão Caveira!”.
— Vou fazer uma sindicância para saber se houve alguma coisa nesse sentido. Quero fazer uma apuração rigorosa para que isso fique registrado. Nossa unidade é muito querida e nunca tivemos reclamação de mau comportamento — afirmou o comandante.
O coronel Cursino diz que, desde que assumiu o comando há três anos, criou uma cartilha de cantos para corridas, e os oficiais são orientados a conduzir os exercícios somente com os canções previamente aprovadas.
— Nós nunca levamos nenhuma canção agressiva à comunidade. Assim que fiquei sabendo reuni meus oficiais e sargentos e perguntei a todos quem teria cantado essa canção. Nenhum deles disse ter cantado, mesmo assim mandei que elementos à paisana percorressem a região para saber se tinha ocorrido esse tipo de canção e até agora ninguém me relatou o ocorrido — defendeu-se o comandante.
— Nossos grupamentos são pelotão ou companhia. Não temos um “esquadrão caveira”. Não estou dizendo que não foi cantado, mas não é usual. A primeira transgressão grave é a falta com a verdade. Não vou dizer que é impossível, mas a probabilidade (de alguém ter mentido) é pequena.
O líder do PSOL, deputado Chico Alencar, cobrou nesta quinta-feira explicações do Ministério da Defesa sobre o episódio, e a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados também manifestou “repúdio a esses procedimentos, reiterando que seu conteúdo confronta princípios da nossa Constituição”.
No mesmo dia, o Grupo Tortura Nunca Mais do Rio recebeu uma ameaça por telefone na sede do grupo, conforme informou nota na coluna de Ancelmo Gois. De acordo com a presidente do grupo, Victória Grabois, uma voz de homem, demonstrando tranquilidade, declarou: “Estou ligando para dizer que nós vamos voltar e que isso aí vai acabar”.
— A última ameaça foi há cinco anos. Acho isso muito sério e já avisamos para todo mundo ficar atento — disse Victória.
Para ela, a ameaça tem a ver com o início das atividades da Comissão da Verdade e com a intermediação do Tortura Nunca Mais no caso do cadete Márcio Lapoente da Silveira, que morreu em treinamento em 1990. A entidade intermediou um acordo há cerca de dois meses, no qual o Exército se comprometeu a colocar uma placa na Academia Militar das Agulhas Negras, especificando que o cadete morreu em treinamento no local.
O Globo/montedo.com
Comento:
 Está na cara que o tal 'cântico da morte' - aliás, ridículo, já ouvi refrões bem mais criativos por aí - se ocorreu, é mais uma dessas bobagens que pica-fumos inventam para chamar a atenção - principalmente das meninas - quando saem a correr com a tropa pelas ruas de qualquer cidade do Brasil. Algo que uma simples 'mijada' bem dada resolveria. 
Mas, nestes tempos bicudos para os milicos, qualquer asinha de grilo já dá uma sopa, como se diz lá em Bagé. Um energúmeno, inclusive, aproveitou a deixa para pedir ao Congresso que "tome  nas mãos" o ensino e a instrução das Forças Armadas. O alvo é claro: os colégios militares, o maior bastião de excelência do ensino público deste País.
Gurizada, no próximo TFM, por via das dúvidas, é melhor cantar ciranda-cirandinha.

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