26 de dezembro de 2016

Ministério Público Militar arquiva investigação sobre capitão do Exército infiltrado em manifestações

Justiça arquiva investigação sobre capitão 'infiltrado'
Segundo entendimento do promotor, oficial do Exército atuava conforme um decreto e a atividade não era irregular
Foto: Reprodução
A procuradoria de Justiça Militar em São Paulo, órgão do Ministério Público Federal, arquivou o procedimento investigatório preliminar que apurava se o o capitão Willian Pina Botelho, de 37 anos, agia como agente infiltrado do Exército no dia 4 de setembro, quando ele e 18 ativistas foram abordados pela Polícia Militar no Centro Cultural São Paulo, na Zona Sul da capital paulista. O grupo se preparava para participar do ato na Avenida Paulista contra o presidente Michel Temer.
De acordo com informações do Ministério Público Militar, o promotor de justiça militar Luis Antonio Grigoletto entendeu, em 25 de novembro, que o capitão estava atuando conforme um decreto acionado pelo Exército para a passagem da tocha paraolímpica. Para o promotor, a atividade que o capitão exercia não era irregular, o que não configuraria nenhum crime. Embora a decisão tenha sido tomada em novembro, ela ainda não foi homologada.

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O caso
No dia 4 de setembro um grupo de manifestantes foi preso pouco antes de um protesto contra o presidente Temer, em São Paulo. A presença do oficial levantou a suspeita de que ele estivesse infiltrado no grupo e levantou também questionamentos sobre a legalidade deste tipo de ação.
O momento da prisão de 21 jovens quando se preparavam para participar de uma manifestação contra o governo Temer foi filmada. Nas imagens, aparece também um homem mais velho, de barba, o capitão do exército Willian Pina Botelho. Ele também aparecia em uma foto ao lado de três jovens.
Manifestantes disseram que William se apresentava nas redes sociais como Balta Nunes. Um dos presos, que não quis se identificar, confirmou a história e informou que os jovens foram levados para uma delegacia e que Balta, como William se apresentava, não seguiu com eles.
"A gente foi enviado direto para o Deic e nesse momento que a gente entrou no camburão para ir, o Balta já não foi junto. E aí no chat que a gente tinha no WhatsApp, ele conversando, falou que estavam mandando ele para outra DP porque ele estava com documento falso. E aí meio que morreu o contato. Ele insistiu um pouco na ideia e a gente achou meio suspeito. Como assim só ele vai para outra DP?", relembra.
O boletim de ocorrência não citou William, apenas diz que um homem, que não se identificou, chamou atenção dos policiais para um grupo de manifestantes.
Na época, o Exército confirmou que Willian é oficial do Exército lotado no Comando Militar do Sudeste e que as circunstâncias ainda estavam sendo apuradas.
No dia seguinte à prisão, a Justiça mandou soltar todos os jovens. O juiz Rodrigo Camargo disse que eles não tinham antecedentes criminais nem intenção de realizar nenhum crime. Ainda segundo o juiz, o Brasil, como estado democrático de direito, não pode legitimar a prisão para averiguação.

Operações de inteligência
Em novembro, o Exército brasileiro admitiu ao G1 realizar “operações de inteligência” permanentes em “manifestações de rua”. Por meio de nota encaminhada à reportagem, o Exército justificou a legalidade e emprego "permanente da inteligência" para benefício da população, sem, no entanto, esclarecer se isso significa que vêm usando militares infiltrados em protestos populares.
“A atividade de inteligência tem respaldo legal. O Exército tem sido empregado frequentemente nas operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). A utilização permanente da inteligência tem assegurado a eficácia nas operações, o emprego proporcional da Força e minimizado os efeitos colaterais na população”, alega as Forças Armadas.
“O acompanhamento de manifestações de rua em nosso país está inserido no contexto das Operações de Inteligência”, continua o comunicado da assessoria do Exército.
G1/montedo.com

16 comentários:

Garivaldino Ferraz disse...

E qual a providência a ser adotada contra os "órgãos de comunicação" que expuseram a imagem do militar à execração pública??
Os mesmos "órgãos de comunicação" que omitem a identificação de notórios criminosos, mesmo quando presos em flagrante delito?
Claro, a providência será "queimar" profissionalmente o jovem, quem sabe transferindo-o para alguma OM de tropa, de preferência em algum fim de mundo de onde só saia quando for promovido "por antiguidade".

Anônimo disse...

Foi promovido em 25 de dezembro de 2016, ao Posto de Major.

Anônimo disse...

Foi feita justiça. Estava cumprindo ordens e protegendo o Estado contra vagabundos da esquerda.

Anônimo disse...

Todos os paises do mundo tem seus órgãos de segurança e certamente fazem esse trabalho com agentes infiltrados.

Anônimo disse...

Colocar militar na fogueira é "sopa no mel". A mídia adora.

Anônimo disse...

Nada e sério neste país...foi pego infiltrado, ainda foi promovido.

Anônimo disse...

Foi feito justiça. Mais inteligência, menos bagunça.

Anônimo disse...

Decreto? Gostaria de consultá-lo. Só autoriza na olimpíada? Por que não falaram antes? Sei não?
Se alguém tiver o número, por favor citá-lo.

Garivaldino Ferraz disse...

Ao Comentarista de 26 Dez - 21:15:

Grato pelo esclarecimento. Felizmente, o jovem não foi sacrificado como eu pensei que seria!
Errei feio!

Anônimo disse...

Cumpriu-se:

“Estaremos sempre solidários com aqueles que, na hora da agressão e da adversidade, cumpriram o duro dever de se oporem a agitadores e terroristas, de armas na mão, para que a Nação não fosse levada à anarquia.”

Walter Pires de Carvalho e Albuquerque
Ministro do Exército

O general Walter Pires de Carvalho e Albuquerque foi Ministro do Exército durante o governo João Figueiredo

Anônimo disse...

Parabéns ao major! Cumpriu seu dever e ainda expôs as intenções esquerdistas e de mal caráter dá mídia.

Anônimo disse...

Qual o número do decreto?

Anônimo disse...

Esse Gen walter pires deixou uma mácula terrível na imagem do eb, muito fanfarrão mesmo e hoje as forças armadas pagam um preço muito alto perante a sociedade, fruto de suas peripécias. Queria sair gen ex nas o saudoso gen ex Leônidas disse em uma entrevista que ele era muito fraco. Assim como acontece atualmente, muitos cel a fim de sairem gen aprontam com a vilipendiada tropa, pois só sobrou a tropa para eles pagarem de otoridade, porque tem menos autoridade que um guarda civil.

Anônimo disse...

Alguma dúvida que se o infiltrado fosse praça, iria dançar e jamais ingressaria no QAO?

Anônimo disse...

Independente se estava certa ou errada a atuação do capitão, não podemos negar que foi de uma incompetência gigantesca. Que vergonha desses S2. Vocês viram as conversas dele com outros esquerdistinhas? Mais amador que sub 15 do Bangu

Garivaldino Ferraz disse...

Ao comentarista de 28 Dez - 13:11:
A qual Walter Pires tu te referes?
Eu conheci um. O último Ministro do Exército que fez jus ao nome do cargo. Militar exemplar, Líder competente que lutava por seus comandados defendendo-os até com truculência - como na ocasião em que defendeu um reajuste nos vencimentos diferente do proposto pelo Min da Fazenda e, ao ser questionado, "se foi às ganachas" do sujeito, necessitando que o Gen Figueiredo intervisse (e se definisse pelo percentual que ele, General, defendia).
Quanto ao "saudoso" Leônidas, lembro que foi aquele que implantou a FT-90 - plano de modernização do EB, parcialmente bem sucedido - ,as também impôs uma troca de uniformes em época que os militares estavam na pindaíba (um pouco mais que em épocas normais) onerando-os com um alto gasto.

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