16 de agosto de 2016

Militar: a dedicação exclusiva e a disponibilidade permanente.

Nota do editor
Colocações interessantes, claras, objetivas e públicas constituem um 'ponto fora da curva' para o perfil dos atuais generais da ativa. Somente essa peculiaridade já justificaria a leitura do artigo. 
Eduardo Castanheira Garrido Alves*
A profissão de militar das Forças Armadas está alicerçada na hierarquia e disciplina e requer de seus integrantes requisitos que vão além da concepção normal daquilo que se entende por uma relação de trabalho entre empregado e empregador.
Os militares das Forças Armadas, distribuídos por instituições sólidas e seculares (Marinha, Exército e Aeronáutica), prestam serviço à sociedade brasileira à luz do que determina a Constituição Federal, tendo como missão precípua a defesa da Pátria, a garantia dos poderes constitucionais e a garantia da lei e da ordem. Complementam as atribuições das Forças Armadas, a cooperação com o desenvolvimento nacional e a defesa civil.
Para cumprir com eficiência tais missões, os militares estão sujeitos a situações bastante peculiares e que caracterizam a essência da profissão. O risco de vida, os preceitos rígidos de hierarquia e disciplina, a dedicação integral e exclusiva, a disponibilidade permanente, o pronto emprego, a mobilidade geográfica, o vigor físico, a proibição de filiação a partidos políticos, a proibição de sindicalização e greves, o vínculo com a profissão e a supressão de direitos sociais (horas extras, adicional noturno, adicional de periculosidade, FGTS, entre outros) são características daqueles que voluntariamente optaram pelo serviço em prol da pátria e necessárias à garantia da existência e perpetuação das Forças Armadas.
Os constantes serviços de 24 horas nos postos iniciais, sem que tenha qualquer tipo de folga; as jornadas no terreno, levando-o a ausentar-se rotineiramente dos seus familiares; os períodos de internato para formação básica dos jovens que prestam o serviço militar inicial, as atividades inopinadas que cada vez mais são comuns (combate ao mosquito Aedes Aegypti, operações de garantia da lei e da ordem, combate ao desmatamento, o apoio a diversas ações governamentais, entre outras) somente são factíveis por conta da dedicação exclusiva, da disponibilidade permanente e do elevado sentimento de cumprimento do dever que é desenvolvido nos militares desde seus passos iniciais na caserna.
O militar está permanentemente pronto para cumprir a missão que lhe for determinada pelas autoridades competentes. Somente estas características permitem, em tempos de Jogos Olímpicos e Paralímpicos, que milhares de militares das Forças Armadas sejam deslocados de todo o território nacional para a cidade do Rio de Janeiro, trabalhem dia e noite sem cessar, para prover a segurança e a paz a população e turistas do mundo inteiro, sem que ocorra qualquer tipo de contestação com condições de trabalho ou de remuneração.
Ao mesmo tempo, outros milhares se deslocam para o Rio Grande do Norte para conter a onda de violência que invadiu aquele Estado nos últimos dias. Tudo isso sem que haja o comprometimento das demais missões permanentes das Forças Armadas, tais como o patrulhamento contínuo das fronteiras terrestres, das águas jurisdicionais e do espaço aéreo brasileiro.
Ações como essas, facilmente identificadas pela sociedade como uma obrigação das Forças Armadas, não podem, no entanto, estar pautadas em relações trabalhistas, predominantemente verificadas na maioria das profissões. Em que pese o risco de morte inerente as suas atividades, os militares não escolhem onde, quando, como e por quanto tempo continuado serão empregados. Ações como essas somente são possíveis graças à dedicação exclusiva e permanente exigida dos militares, à presença nacional garantida pela mobilidade geográfica, ao preparo constante que garante o pronto emprego e à desvinculação das regras comumente aceitas pela sociedade, no que diz respeito a direitos sociais e remuneratórios.
Não se trata de exigir equiparações de direitos, até porque alguns deles são incompatíveis com o exercício da profissão militar. Trata-se, tão somente, da evidenciação de que os militares pertencem a uma categoria profissional com características extremamente peculiares, que tem implicações diretas não só na sua própria vida, mas também em todo o seu núcleo familiar.
As especificidades da carreira militar a distinguem das demais profissões e devem pautar as comparações entre militares e civis no que tange as suas carreiras. No momento em que se aguçam as discussões sobre reforma da previdência e onde alguns discursos defendem a unificação de regimes de civis e militares, ignorar as especificidades da carreira é desconsiderar todas as privações e limitações às quais já estão enquadrados os militares.
* General de Divisão Intendente (na ativa)
EBLOG/montedo.com

12 comentários:

Anônimo disse...

Incrível como os intendentes têm mais coragem do que os armeiros. Precisamos de um Comandante da Força pq engenheiro e infante já mostraram que não dá. Já passou da hora desses companheiros do acanto seguirem até 4 estrelas, e quem sabe comandarem o EB. Preparo técnico eles têm, como o Gen Garrido, excepcional militar, carreira brilhante e dotado de grande inteligência e serenidade para resolver os problemas.

Anônimo disse...

Ótimo texto!!! Isso deveria ser publicado nos jornais de grande circulação...

Anônimo disse...

LÁ VAI O BOMBRIL, 1001 UTILIDADES, MAS USOU JOGA FORA.
TUDO COM APOIO INTERNO.

http://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/2016/08/decreto-que-prorroga-uso-das-forcas-armadas-no-rn-e-publicado.html

Ivan luiz Mezadri disse...

Excepcional esclarecimento!!!! Tudo o que precisa ser dito!!!

Anônimo disse...

Isso é evidenciado até nas OM não logísticas. De todos militares, os intendentes são sempre os mais articulados, mais inteligentes e solucionadores... Pensam sempre fora da caixa...


P.S: sou de engenharia (aman 97)

Anônimo disse...

É... como diz o "velho deitado": "Pegar mamãe todo mundo quer, mas sentar no colinho do papai, não." É claro que militar só está "levando fumo" nessa história!

Léo disse...

Gen Garrido, seu texto, suas exposições, todos, principalmente as praças, estamos mais que cientes do quanto a profissão militar nos custa em abnegações, renúncias, etc etc,etc e etc...Vossa Excelência Acredita mesmo que essa corja corrupta , Saqueadores dos cofres públicos, formadores de Organização Criminosa, Quadrilheiros, sonegadores de impostos, lavadores de dinheiro sujo, ratos de esgoto estão preocupados com as nossas privações? Traduza suas palavras em atitudes e , como Oficial General da ativa exija, a quem de direito, vencimentos decentes para seus subordinados!!! Caso contrário , suas palavras são apenas figuras de retórica. Essa mesma elite Política,canalha, às quais suas palavras são direcionadas é a mesma que enxovalhou , escarneceu , e ofendeu a imagem de um Gen-de-Exército do passado, Gen Etchegoyen, o qual foi ao túmulo com todas as honras que um Soldado poderia desejar, acusando-o de ser assassino e torturador.Essa corja não dá a mínima para nossos vencimentos HUMILHANTES E VEXATÓRIOS, como bem disse o General Bini, ao Globo.Pena que ele esperou doze anos ,como Oficial general da ativa, e passar para a reserva para se lembrar dos "VENCIMENTOS HUMILHANTES E VEXATÓRIOS".

Anônimo disse...

Parabéns GENERAL GARRIDO (com letras maiúsculas). De forma clara disse tudo que tantos outros não tem coragem de expressar. Não sei se é por medo de perder um Conselho ou por total falta de comprometimento com os subordinados. Vide a MP do Mal.

Anônimo disse...

Militar é militar 24 horas para cumprir atividades de defesa da não em prol ao Brasil e não para fazer o ego de certos comandantes que querem ficar folgando em cima dos modernos. Cansei de ver comandantes deixarem a tropa até de noite para mostrar quem manda e sem necessidade ou entao ficar convocando militar de folga sem necessidade só para tirar uma duvida.

Anônimo disse...

Espero que ao menos não sejamos tão humildes a pontos de continuarmos a participar de campanhas de combate ao aedes aegypt, pois essa missão é humilhante e nunca vi policial militar, professor de universidade, professor de escola pública ou mesmo a força nacional combaterem mosquitos, só nós, e isso é ridículo, dai nossa pouca valorização, pois quem aceita tudo é subserviente, ou alguém acha que a população nos admira por isso?

Anônimo disse...

Sera que os militares vao aceitar bovinamente a mais essa perda na carreira, visto que já foram ARROMBADOS pela MP 2215, a malfadada MP do Mal, trairagem que TUNGOU em mais de 30% dos vencimentos (salários), o posto acima , LE, etc???
Isso sem levar em conta a defasagem salarial nos últimos reajustes recebidos parceladamente, a conta-gotas, que quando terminam a ultima parcela já foram corroidos pela inflação.
Essa perda já passa de 36% de acordo com a inflacao nos últimos anos.

Anônimo disse...

O problema está colocado em números e a questão do financiamento da inatividade continua não sendo colocad como algo objetivo. Ficar recebendo até a morte da União esperando ser convocado é o que está na pauta, não a discução das agruras da atividade. Falta criar um estrutura previdenciária para os militares para contribuição na ativa e pagamento na anatividade, com a convocação, em tempo de paz, restrita aos cinco anos de EXAR. Acabar de vez com a contribuição para apensão militar ad eternum, cujos beneficiários não são os mesmos que sofrem as agruras expostas nos textos e os beneficiários, são os que afundam os gastos e o farão, pelos próximos 150 anos, pelo menos.

Arquivo do blog

Compartilhar no WhatsApp
Real Time Web Analytics