7 de dezembro de 2014

“Se quiser, mato um soldado por dia”, diz traficante da Maré.

Um cabo do Exército, veterano da missão no Haiti, foi morto a tiros na favela carioca

Leslie Leitão
A TROPA ACUADA - Sepultamento do cabo Mikami: os militares estão em desvantagem nos domínios do tráfico no Complexo da Maré
A TROPA ACUADA - Sepultamento do cabo Mikami: os militares estão em desvantagem nos domínios do tráfico no Complexo da Maré (Rafa Von Zuben/Código 19/Estadão Conteúdo)
Faltavam cinco dias para o cabo do Exército Brasileiro Michel Augusto Mikami, 21 anos, encerrar a terceira campanha real de sua curta carreira militar. A primeira foi a missão de paz da Organização das Nações Unidas no Haiti. E depois a Copa do Mundo. O plano de Mikami era voltar para casa, em Vinhedo, cidade vizinha a Campinas, no interior de São Paulo. Como parte da Força de Pacificação formada por 3 000 militares da Marinha e do Exército, Mikami patrulhava as vielas do Complexo da Maré, aglomerado de favelas na Zona Norte do Rio de Janeiro. A missão da tropa federal é apoiar a polícia do Rio no que se chamou apressada e exageradamente de “retomada do território do tráfico”. Na tarde da sexta-feira 28, em meio a um tiroteio com os bandidos donos do “território retomado”, o cabo Mikami foi atingido por uma bala de fuzil na cabeça, que o matou instantaneamente. Desde a ação para debelar a guerrilha comunista no Araguaia, em 1972, as Forças Armadas do Brasil não tinham um soldado morto em combate em território brasileiro. O cabo, enterrado com honras militares, é, porém, apenas mais um número da macabra estatística do combate ao crime no Rio de Janeiro. O ano de 2014 ainda não acabou e o número de policiais mortos a tiros por bandidos no Rio de Janeiro chegou a 106 na semana passada. Uma cifra assustadora quando comparada à de outros países. Sim, porque não há base de comparação com cidades. Em Nova York, neste ano, nem um único policial morreu assassinado a tiros por bandidos. Zero. Em todos os Estados Unidos, com quase uma vez e meia a população brasileira, tombaram baleados por bandidos 46 policiais. Menos da metade do que os bandidos mataram em 2014 só no Rio de Janeiro. Todos os estados americanos têm legislação que pune com mais severidade o cop killer, ou assassino de policial. Em Nova York, o cop killer, não importa a circunstância do crime, é enquadrado automaticamente na categoria mais severa do código penal, o assassinato em primeiro grau. O condenado nessa categoria não tem acesso a benefícios jurídicos, como a diminuição de pena por bom comportamento.
VEJA foi ao Complexo da Maré na quarta-feira passada, cinco dias depois da morte do cabo Mikami. O “território retomado”, a “comunidade pacificada”, da propaganda oficial, vivia sua rotina esquizofrênica. As ruas eram patrulhadas por jovens armados com pistolas e radiocomunicadores. A menos de 100 metros de um posto do Exército guarnecido com seis soldados, o carro da equipe de VEJA foi parado pelos traficantes e vistoriado. O gerente do grupo concordou em falar, sem se identificar, dentro de um bar. Ali, tranquilo, deu uma espantosa explicação para a coabitação de militares com bandidos em um mesmo território: os criminosos têm a vantagem por estarem bem armados e conhecerem melhor a região. A morte do cabo Mikami foi descrita por ele como um evento normal, incapaz de perturbar a “paz” do lugar: “Se a gente quisesse, matava um soldado por dia”.
O plano de pacificação que começou em 2008 no Rio de Janeiro teve sucessos iniciais estrondosos com favelas tomadas sem o disparo de um único tiro. No ponto mais alto dos morros, os policiais de elite hasteavam bandeiras do Brasil, do Rio de Janeiro e de suas corporações. Mas, sem que se desse a efetiva ocupação do território pelo estado, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) instaladas nas favelas foram sendo isoladas até chegar à situação atual de monumentos ao fracasso de um plano que parecia vitorioso. Não é raro a guarnição de uma UPP pedir a intervenção de unidades de elite para conseguir sair de sua base. Só no conjunto de favelas do Alemão foram registradas quase duas centenas de tiroteios, escaramuças inconsequentes entre policiais e bandidos, sem que nenhum lado se declarasse vencedor.
Na famosa Favela da Rocinha, a presença constante de 700 policiais não consegue impor a ordem, tampouco impedir o tráfico de drogas e os crimes violentos associados a ele. Rajadas de fuzis automáticos cortam o céu noturno do morro que foi durante algum tempo a vitrine da política de pacificação na cidade. Entre os 267 policiais baleados neste ano, 79 foram feridos em combates em áreas de UPPs, onde oito morreram.
É melancólico constatar que sob o rótulo de “pacificação” esteja ocorrendo mesmo uma guerra. Além dos policiais mortos, perderam a vida no Rio de Janeiro até outubro 481 pessoas em circunstâncias oficialmente registradas em “autos de resistência”. Esse termo deveria descrever apenas situação em que, esgotadas todas as outras opções, a polícia recorre às armas para deter um criminoso. Infelizmente, no Rio de Janeiro, o “auto de resistência” pode ser mesmo a clássica “resistência seguida de morte”, mas serve também para encobrir ações de criminosos de farda. A boa notícia desse lado da trincheira é que as mortes de civis em operações policiais na cidade têm diminuído ano a ano: em 2007, antes do início das UPPs, foram 1 330. A má é que mais policiais estão sendo assassinados. “A verdade é que a polícia está matando menos, mas seus homens continuam morrendo como moscas”, diz Richard Ybars, antropólogo e policial civil.
A lógica mais simples levanta a seguinte questão quando alguém se detém diante da resistência do tráfico no Rio de Janeiro: se os morros não produzem drogas nem têm fábricas de armas pesadas, não seria o caso de, em vez de correr em vão atrás do varejo, impedir no atacado o fornecimento de cocaína e fuzis AK-47 aos bandidos? Raramente se consegue uma resposta satisfatória a essa pergunta. Uma fresta de luz, porém, entra no debate quando se analisam as favelas do Complexo da Maré. Com seus 130 000 habitantes, a Maré tem localização geográfica estratégica. Fica próxima do Aeroporto Internacional Tom Jobim e tem saída para o mar. A área é contígua às duas principais vias de trânsito da cidade, a Linha Vermelha e a Avenida Brasil. “A Maré é muito importante na geopolítica do tráfico, porque quase tudo passa por ela. Para os criminosos, é essencial comandá-la”, diz o sociólogo Cláudio Beato, especialista em segurança pública. Com sua óbvia importância tanto para o atacado quanto para o varejo do comércio ilegal de drogas, o Complexo da Maré deveria merecer atenção especial das autoridades. A região é policiada por soldados jovens vindos de diversas partes do Brasil e treinados — quando são — para outro tipo de batalha. “Essa guerra não é nossa”, disse um deles a VEJA. Não é mesmo. O militar das Forças Armadas é treinado para matar o inimigo. Suas armas são canhões, bazucas, carros de combate, jatos e navios de guerra. Reduzidas à função policial, as Forças Armadas correm o risco de ser desmoralizadas por ter sido colocadas em uma guerra que não podem vencer.
AÇÃO E REAÇÃO - Patrulhamento em Nova York, onde os assassinos de policiais recebem pena máxima
​O despreparo é uma queixa comum também em relação às forças que operam nas 38 UPPs do Rio — um contingente incrementado ao ritmo de até 500 homens por mês, formados a toque de caixa para cumprir a meta de pôr a segurança nas favelas nas mãos de uma tropa nova, livre de vícios. “A ânsia política de colocar novas turmas nos morros prejudica a formação”, afirma Paulo Storani, ex-capitão do Bope. A tropa das UPPs é de fato majoritariamente nova, mas nem por isso vícios como corrupção, desvios e apatia foram extirpados. “A intenção era ‘uppeizar’ a PM, mas o que se vê é a ‘peemização’ das UPPs”, diz Beato.
Entre setembro e outubro, duas operações do Ministério Público contra a corrupção na polícia puseram na cadeia mais de quarenta homens. Os promotores investigam ainda uma fraude milionária em unidades de saúde da corporação que deve levar à prisão de mais oficiais. Em consequência dessas denúncias, o comando da PM foi trocado. É um movimento positivo, mas será preciso bem mais do que operações episódicas para reverter a derrocada da segurança no Rio e impedir que as UPPs sejam lembradas apenas como mais uma das tantas utopias massacradas pela realidade.
Veja/montedo.com

19 comentários:

Anônimo disse...

A morte do cabo tem culpados e não são somente os traficantes ! Os culpados são uma presidente que humilha as Forças Armadas com revanchismo,mal remuneração,os comandantes que aceitam um papel que não é das Forças Armadas e se calam diante de tantas aberrações,dos viciados que ao comprar suas drogas,financiam armas e munições,dos "direitos humanos" que protegem vagabundos e os tratam com benevolência; (se um militar tivesse matado um traficante,com certeza a mídia,a OAB e os direitos humanos estariam investigando e fazendo um escarcéu ),a população das comunidades que ainda concordam com este marginais e execram os militares ! Todos voces tem as mãos sujas com sangue do cabo Mukami !

Anônimo disse...

Quase todos os que foram citados no comentário anterior tem culpa pela morte do militar na Maré. Agora os verdadeiros culpados são os comandantes que estão nos seus gabinetes refrigerados, comendo do bom e do melhor, ganhando polpudas diárias em ridículas inspeções onde tem a desfaçatez de dizerem que estão preocupados com a tropa. Com comandantes desse tipo não precisamos nos preocupar com outros inimigos pois temos os nossos bem ao nosso lado.

Anônimo disse...

A inversão da ordem pública, o exemplo vem daqueles que comandam a política do país. O povo aplaude o "rouba, mas faz". Traficantes que financiam candidaturas políticas jamais serão molestados.
Eu não consumo drogas que financiam o crime, o armamento e a violência dos marginais.
O que dirá a Comissão da Verdade sobre a morte do Cabo Mikami? Quanto ele receberá de indenização do Estado brasileiro por defender a Ordem e o Progresso? Quando a OAB, os Direitos Humanos, o Suplicy visitarão a família desse jovem? Denunciarão essa violência aos organismos internacionais?
Os responsáveis pelas instituições brasileiras deixaram o PT e seu bando irem longe demais. Por isso agora devem aguentar firmes, serem obedientes, pagar em dia seus impostos para serem roubados pelo Lava Jato e ajudar o Lula a pagar seu Triples no Guarujá. Nada vai acontecer pois a Comissão da Verdade e a mídia em geral demoniza todo dia todos os que são pela Lei e pela Ordem, enquanto as Leis e a Ordem oferecerem um bocado de democracia.
Brevemente a Lei e a Ordem não mais será democrática, como já está, liberando os ladrões do dinheiro público a cumprir suas penas em casa, administrando seus negócios, para mais desvio de dinheiro público.
Qual era o salário do Cabo Mikami?
Um mês de salário do Cabo Mikami, provavelmente era equivalente a 1 dia de salário do gerente do tráfico.

Anônimo disse...

Exército tá sem moral. Todos nos tratam mau. E os bandidos não iriam ficar de fora dessa.

Anônimo disse...

Eles (traficantes), não tem nada a perder, NÓS PERDEMOS A HONRA !!!
Se fosse um policial a resposta já teria sido dada a altura, nós não valorizamos nosso maior bem O HOMEM e PORQUE NÃO DIZER: "A TROPA".
SOMOS DESCARTÁVEIS...IMAGINA NA GUERRA!!!

Anônimo disse...

Excelente reportagem e uma frase citada resume tudo: O militar das Forças Armadas é treinado para matar o inimigo. Suas armas são canhões, bazucas, carros de combate, jatos e navios de guerra. Reduzidas à função policial, as Forças Armadas correm o risco de ser desmoralizadas por ter sido colocadas em uma guerra que não podem vencer.

Anônimo disse...

A visão de Gen americano sobre acupar favelas:

Um jornalista brasileiro entrevista um General americano e pergunta o que ele faria se fosse chamado para invadir uma favela do Rio de Janeiro para combater criminosos. O general começou dizendo que cercaria toda favela e em uma hora o problema seria resolvido. E explica:
- Primeiramente, eu utilizaria helicópteros de combate com fogo total, utilizando misseis e metralhadoras, eliminando pessoas que estivessem portando armas, bem como as edificações que estivessem dando abrigo a atiradores ou servindo como quartéis...
O Jornalista interrompe:
- Mas e o povo civil...?
O general diz: - espera aí, deixa eu terminar, e continua - após o ataque com helicópteros, utilizaria tanques e carros de combate, também com fogo total, como complemento ao ataque aéreo...
Novamente, o jornalista interrompeu:
- Mas e a comunidade inocente...!?
O general novamente pediu que o esperasse terminar e continuou:
- depois que toda ameaça tivesse sido eliminada, a tropa de Marines (fuzileiros navais) entraria na favela e faria uma varredura terminando o trabalho.
O jornalista novamente argumenta:
- Mas a comunidade poderia ser atingida provocando mortes de inocentes e, além do mais, todos tem direitos humanos e direito à prisão...
Dessa vez o general quem interrompeu:
- Então nesse caso quem vocês devem chamar é a policia.

Anônimo disse...

Muito bem explicado Anonimo 8/12 às 09:46

Ten Reis disse...

O problema é que o Exército ainda usa doutrina da 2ª Guerra Mundial e não se atualizou para a atual realidade dos atuais combates pelo mundo, ainda está na época de cavar trincheira numa cota e ficar esperando o inimigo tomar de assalto, e o inimigo sobe em linha com a ridícula situação de "tomar" a cota como se fosse isso que vemos hoje pelo mundo a fora nos atuais combates. É hora de se atualizar, se adequar para as atuais missões, preparar realmente a tropa para situações como a do Rio de Janeiro,já que a moda é empregar a tropa como polícia, então incluam de verdade nas instruções de TODOS, inclusive os Quadros, instruções e exercícios sobre as operações tipo polícia, e não essa "aguá com açúcar" feita as pressas. Fora isso vamos continuar servindo de chacota para os marginais

Anônimo disse...

As Forças Armadas poderiam ser comparadas ao poder de uma ESPADA, já as instituições policiais a um BISTURI.
Quem quiser romper, cortar, decepar um objeto usa a espada, já quem quiser fazer cortes e secções mais precisas utiliza o bisturi.
Se os nossos Generais, todos, simplesmente se negassem a pôr as tropas para cumprirem a ocupação de favelas? As polícias não teriam que se virar?
De quem foi a ideia de criar a Lei sobre as operações GLO ? Será que não foi um tiro no pé a criação dela?

Anônimo disse...

Esse traficante foi até humilde ao dizer isso. Se ele quiser mata muito mais do que um militar por dia. Os militares estão lá de mãos atadas, servindo unica e exclusivamente de alvo para os vagabundos. Não há mérito nenhum na fala do traficante, pois atirar em quem está amarrado, qualquer um faz. Eu queria ver se o exército estivesse lá fazendo papel de exército de verdade. Nem teria traficante para tentar fazer bravatas.

Anônimo disse...

A visão do Gen Americano, resume bem o que deveriamos fazer como Exército (tropa combatente que somos). Mas ai os generais brasileiros e seus familiares iriam perder seus cargos nas estatais, o que é inadimissível.
QE da Fronteira.

Anônimo disse...

Prezados camaradas, estou operando na Maré há dois meses, patrulhando dia e noite com meus soldados e vejo mutos comentários infundados. A história é sempre a mesma "a culpa é dos nossos comandantes..."o blablabla dos leões de alojamento! não é isso!!! Primeiro, esquecem que a nossa profissão é de risco. Segundo, o que aconteceu ao meu amigo Mikami foi pura fatalidade, ele estava muito bem preparado e equipado e pertencia ao melhor pelotão da OM...aprendemos nas escolas a cumprir missão e todos que estão aqui o estão fazendo, inclusive o Gen Cmt da Bda que participa diariamente das patrulhas conosco...a culpa é toda nossa que deixamos reeleger um bando !só isso!

Anônimo disse...

Bando de chorões! Essa é nossa missão!! Quem não está satisfeito pula fora!Vai ser PM, vai ser Rodoviário! Vai ser alguma coisa! Mas mude! Vai ser feliz porra! Eu estou feliz com minha profissão, nunca me senti desprestigiado em nenhuma missão, paiasano nunca me destratou como disseram em alguns comentários aqui! Mesmo porque eu imponho o meu valor! Não está satisfeito? RUAAAAAA!
Sgt de Infantaria

Anônimo disse...

Ora, ora! Se bandido quiser, mata um soldado ou PM por dia em qualquer cidade do Brasil. O que eles não são é loucos de fazerem isso. Eles não rasgam dinheiro também, então, se quiserem continuar nessa vidinha de meliante, vão ter que baixar o facho, colocar o rabo entre as pernas e ficarem mansos, senão as tropas entram e acabam com a petulância deles. Se apertar o cerco, eles entregam o responsável pelo ocorrido. Aguardem.

Anônimo disse...

Não entendo porque não existem atiradores de elite e observadores dando cobertura às patrulhas.
Lá no Haiti, que era uma missão de paz, foram utilizados forças especiais que atiravam inclusive em mulheres armadas, abatiam inclusive utilizando calibre .50 (12,5mm), já aqui no Brasil reina a hipocrisia.
Vagabundo armado de fuzil na favela deve ser abatido, é força hostil, simples assim. Abate e filma e fotografa o vagabundo caído ao lado da arma, se algum "policiólogo" reclamar dizendo que era um "pobre trabalhador" basta mostrar as fotos.
Como o nome diz, são Forças Armadas e, a arma é a ferramenta de trabalho dessas instituições. Diálogo e conversa deve ser feita por psicólogos, sociólogos, terapeutas, assistentes sociais...
A sociedade brasileira deve definir e ter a maturidade de aceitar que o papel das Forças Armadas não é a de mediar conflitos, mas acabar com inimigos internos ou externos.

Anônimo disse...

Quando era adolescente discutia com meus amigos se era possível tomar os morros dos traficantes, quando mais velho fui lá e vi que era possível, passei 3 meses e meio no complexo do alemão, passei por diversas dificuldades e garanto que o pior que havia lá eram alguns da própria tropa vi que 90% do morro eram cidadãos, que os mais velhos nos apoiavam, que as crianças nos adoravam, que o que vi na tv e influenciam milhões não era verdade. Conversando e muito com a população vi que os traficantes fazem mais justiça do que o governo, quando existia alguma caso de estupro no morro a pena de morte era certeza, pelo que conversei a população preferiam os traficantes do que as milicias, senti na pele a incompetÊncia do exército , não vi um f.e ou comandos lá, dei o meu suor e meu trabalho e o risco da minha vida e do meus subordinados para garantir a paz por lá sempre tratando a população com dignidade mesmo sendo contrariado por muitos da tropa que acham que todos que vivem na comunidade são vagabundos, solicito aos que pensam assim tirar um quarto de hora de 04 as 08 e ver quantos trabalhadores descem do morro pra trabalhar, e quanto aos vagabundos qualquer deboche com a gente era desacato. Pacificação!

Anônimo disse...

Montedo, aproveito este espaço para lhe parabenizar, pois o seu blog é o "blog". Está fazendo tanto sucesso que já atrai o pessoal da 2ª Seção. Pois, não dá para acreditar em alguns comentários acima, dizendo, entre outras coisas, que a morte do cabo foi uma "fatalidade", que os comandantes não têm culpa, que todos lá estão preparados, que essa é a nossa missão, quem não concorda que vai embora "ser feliz, porra", etc, etc. Definitivamente, não dá para acreditar que esses comentários vêm de militares em missão na Maré, só pode ser coisa dos "S2" ou agentes das operações psicológicas.

Respondendo aos "S2" que publicaram acima (escrevo em caixa alta):

1. A NOSSA PROFISSÃO, A NOSSA MISSÃO NÃO É, NUNCA FOI E NUNCA SERÁ ESSA DE PATRULHAR FAVELAS, RUELAS OU LOGRADOUROS AFINS (quem pensar assim, não se vê como militar, mas como policial, e não me venham com GLO que não tem nada a ver com isso);

2. A TROPA ESTÁ PREPARADA PARA QUE? (pois, não pode executar a sua verdadeira missão e se pudesse, no mesmo momento do assassinato do cabo, a patrulha teria revidado o ataque e não descansaria enquanto não tivesse eliminado, repito, eliminado o autor do disparo, porque ESTA, SIM, é uma missão da tropa de um Exército);

3. A NOSSA PROFISSÃO É DE RISCO PORQUE SOMOS PREPARADOS PARA A GUERRA (e numa guerra, infelizmente, é grande a probabilidade de sofremos baixas, ou seja, de morrer militares. Correr riscos, patrulhando ruelas sem poder reagir até mesmo a xingamentos de civis, "dando sopa" para traficantes bem entrincheirados, não é o RISCO inerente da nossa profissão, é simplesmente SUICÍDIO);

4. A MISSÃO DO EXÉRCITO NÃO É FAZER ACISO EM FAVELA DE TRAFICANTE (querer fazer "operação presença", achando que o vagabundo vai respeitar somente porque é militar do exército e está armado é acreditar também que o Papai Noel vai nos visitar no dia 24 próximo. Ninguém mais respeita o EB por ser EB. Até em cidades do interior não se respeita mais como antigamente. Vagabundo, meliante, inimigo respeita um exército quando este mostra-se que é exército e vai para cima aplicando o que aprendeu em adestramentos. Somente com aplicação real, e não potencial, da força é que um exército se faz respeitar pelo inimigo);

5. AS FORÇAS ARMADAS ESTÃO SENDO EMPREGADAS COMO BUCHAS DE CANHÃO (o emprego atual do EB no Rio de Janeiro tem o objetivo de passar uma imagem para o mundo de que o crime está sendo contido e que o turista pode vir para o Brasil. Traficante nenhum vai desalojar-se do seu bunker, os crimes continuarão acontecendo. Quem deve patrulhar, buscar, apreender, prender, coibir o tráfico é a POLÍCIA).

Por último, se a paciência do Montedo e demais colegas me permitem, experimentem os militares na Maré revidar um ataque e matar um traficante para ver o que acontece com a população daquela localidade. Aí os senhores vão ver o grande apoio e respeito dos civis ao EB. Vocês presenciarão quem eles consideram o líder!

Agradeço a paciência e me desculpem, mas foi um desabafo, pois não está dando para suportar tanta "ingenuidade"!!

Cleverson Berion disse...

Em quem acreditar nos comentários logo acima?
A questão é a seguinte, ao meu ver, todos têm uma solução e ao mesmo tempo ninguém tem uma solução.
O ideal é sair do país quem puder, e para os que não podem, saiam ao menos do eixo Rio-SP que já é um bom começo.

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