14 de setembro de 2014

O apronto operacional e uma história da velha Cavalaria.

A foto abaixo é de 11 de agosto, no quartel do 9º Batalhão Logístico (Santiago-RS). Trata-se do apronto operacional para a Operação Guarani 2014.
Imagem: Cabo Araújo (CMS)
A imagem trouxe-me recordações (seriam assombrações?) do velho 14 e do tempo que passei envolvido em 'operações' como essa, que seguiam sempre a mesma cronologia: plano de chamada de madrugada (num tempo em que não existiam celulares e telefones fixos eram raros), deslocamento para o quartel, preparação do equipamento, montagem do dispositivo e horas e mais horas em pé, no pátio, esperando a chegada dos membros do 'escalão superior', entidades supranormais que, manhã já adiantada, desembarcavam de uma Veraneio vinda de Bagé.
Aí, os estrelados, munidos de suas temidas pranchetas, passavam a caminhar por entre as frações, acompanhados do S/3, comandantes de esquadrão e pelotões - todos tão obsequiosos quanto encagaçados.
Era um tempo em que se preenchiam umas fichinhas para sinalizar o material que faltava:
- Vale uma marmita; vale uma faca de trincheira; vale um porta-curativos; etc.
As viaturas faltantes eram representadas com giz, no chão (é fato!): vale uma VTR 2,5 Ton; vale uma VBR EE-9 Cascavel; e por aí vai. Coisa de alto nível, tá pensando o quê?!
O estojo de material de costura  não podia faltar de jeito nenhum! Por algum motivo que até hoje desconheço, era sempre cobrado pelos temidos inspecionadores. Ai do militar que não tivesse em sua mochila linha, agulha e botões.
Mas, vez por outra, haviam compensações.
Numa dessas empreitadas, estava um oficial 'com Kolynos' - os mais antigos lembrarão do creme dental cuja marca era idêntica ao símbolo da ECEME - a inspecionar um pelotão quando abordou o sargento adjunto que, para sua desgraça, era meu amigo Moreira, que sempre tinha respostas ferinas e prontas. Como se fosse obrigação do militar, indagou, ríspido:
- Cadê o relógio de pulso, sargento?
O cavalariano nem piscou. Tomando a posição de sentido, respondeu:
- O subtenente ainda não tem para 'pagar' aos sargentos, major!
E voltou à posição de descansar, sob o olhar atônito dos oficiais do regimento e ante a cara de paisagem do intrépido inspecionador. Este, na falta de palavras, achou que era um bom momento para ir ao banheiro. E assim fez.

21 comentários:

Anônimo disse...

KKKKKKK. CARO MONTEDO, NÃO SOU TÃO ANTIGÃO, MAS DEI BOAS RISADAS COM ESSE CAUSO DE CASERNA. QUANTO AOS VALES, AINDA PEGUEI S3 EM 1989 QUE AINDA USAVA ESSE ARTIFÍCIO, KKKKK. MUITO BOM.

Luis Fernando Smidt disse...

No 3º RCGd, em 1978, havia o vale-cavalo...

Anônimo disse...

Montedo, esqueceste de citar que na semana anterior tinha o famoso faxinão; onde quem se mexia fazia continência, e quem não se mexia pintava de branco, com o tradicional cal, e o término do expediente era regulado pela luz do sol. O bom mesmo das inspeções era que no dia a bóia era melhorada para todos, onde era servido a sobremesa anual de sorvete. Depois de toda a inspeção ( encenação, enganação e outros ão) todos ficavam felizes com o resultado obtido, inspecionadores, comando e tropa e no dia seguinte voltávamos para a nossa realidade de falta de material e macarronada com salsicha e chá de coturno ( popular Brox.....). Bons tempos aqueles que a camaradagem valia mais que o conceito, prova disto é que e os companheiros daquela época, são até hoje tratados como nossos irmãos. abraço . ( em tempo: boa esta do vale cavalo - não tinha gasto com ração - O vale jeep eu peguei).

Anônimo disse...

Os mais safos ja tinha um saquinho com meias velhas Apenas um pe de cada) e outro com cuecas que nao serviam para serem usadas mas na hora de mostrar ja deixava o inspecionador satisfeito.

Anônimo disse...

Texto de uma pessoa muito limitada e tendenciosa Montedo. Te acompanhava a três anos até hoje. Infelizmente me decepcionei contigo.

Anônimo disse...

Essa história contada lembrou-me alguns causos com um meu amigo, subtenente de Comunicações da turma de 1983, que assim que completou o tempo mínimo para reserva renumerada, foi-se para casa. Dava respostas como a da história, mas mesmo assim tinha excepcional conceito, pois é competente ao extremo.

Disse-me ele que em uma inspeção no 36º BIMtz foi “michado” porque a carga, cuidadosamente colocada em um caminhão desenhado no solo, não estava amarrada e poderia CAIR.


Posteriormente, servindo comigo no CIGE, era o Encarregado de Material da Cia Aux Ens e foi chamado pelo Cmt Cia que lhe retransmitiu a ordem do Cmt OM (este fissurado em faxina) para que cortasse a grama em frente ao quartel. Sua resposta imediata:
– Só se passar prestobarba, porque mais baixa do que está, não fica.


Outra vez, na prévia da inspeção da Região Militar, ao se deparar com um equipamento que não funcionava, o capitão Adj do S4 (hoje imponente Cel QEMA) perguntou, na frente do Cmt, porque ele não tomou providências. Ele foi ao armário e pegou uma pasta de arquivo e começou a ler:
– Parte nº X ao Sr S4. Solicito providências para...........
Parte nº Y ao Sr S4, referência à parte nº X. Solicito providências para..........
Parte nº Z ao Sr S4, referência às partes nº X e Y. Solicito providências para..........
Parte nº N ao Sr S4, referência às partes nº X, Y e Z. Solicito providências para..........
Precisa dizer a cara do capitão?


Nessa mesma prévia, já no alojamento e ainda na presença do Cmt, perguntou por que tinha roupas no varal. Pacientemente meu amigo explicou o óbvio. Insatisfeito, o capitão determinou que antes da inspeção as roupas secas fossem tiradas do varal. Resposta de meu amigo:
– Pode deixar capitão. Antes da inspeção venho aqui e molho as roupas que já estiverem secas.

Anônimo disse...

A comida no dia da inspeção realmente era boa, mas para isso, comíamos pior ainda por muitos e muitos dias.

Anônimo disse...

Teve um cmt de esquadrão que ficou apavorado ao ler numa reunião de sgts da subunidade a OI da inspeção da bda que seria na proxima semana, pois o kit para inspeção pedia 3 cuecas no item fardamento. " poxa - eu só tenho 6 cuecas em uso, como fico, e se minha mulher der falta de 3, como explicar?". Resolvemos o problema dele - o furriel mandou comprar 3 cuecas no 1 real. ( válidas até a primeira lavada), e descontou proximo pgto. Esta é uma
pérolas da vida na caserna que não esquecerei.
Sem contar as pilhas para lanterna descarregadas, o coturno de muda ressecado, etc. Me engana que eu gosto. abraço.

Anônimo disse...

Legal foi o dia que o E3 do CMA bateu na mochila "bem estufada"do campanha, e descobriu que o recheio era um cesto plástico de lixo + travesseiro

Anônimo disse...

Montedo: não se preocupe com o comentário das 17:14; provavelmente o colega serviu desde lobinho até a reserva em Brasília. forte abraço cavalariano.

Anônimo disse...

O anônimo de 14 de setembro de 2014 17:14, não gostou da história. Qual o problema de contar as verdades da caserna, companheiro? Por um acaso o senhor estava em alguma dessas inspeções contadas, como membro inspecionador? kkk

Anônimo disse...

Em uma inspeção de apronto operacional da unidade no Paraná, o E3 da brigada, um major de cavalaria, inspecionando um cabo QE, falou:
- Cabo sabia que no meu Kit de sobrevivência da ESAO tinha até estilingue para matar passarinho?
O Cabo na mesma hora respondeu:
- O senhor sabia que matar passarinho é crime ambiental inafiançável?
Na mesma hora a inspeção do pelotão terminou e ele passou para ao próximo

Anônimo disse...

Parabéns caro Montedo pelas lembranças, antigas, mas que a mim parecem que foram ontem, apesar de eu ter pego já o final desse tempo. Esses causos parecem até mentira, mas quem vivenciou aquela época sabe que era verdade, claro as vezes com um pequeno floreio para ilustrar, mas a pura verdade. A velha 3ª Bda C Mec tem muitas dessas.
STen Honório.

Anônimo disse...

Há título de piada é muito engraçado; há título de operacionalidade da defesa da Pátria, uma catástrofe. O pior é que são oficiais generais, em que mundo essa gente vive???

Anônimo disse...

KKKKK...quando estive no CMO tinha essas coisas direto...mas a do passarinho foi otima!

Anônimo disse...

Em uma inspeção no CMA, o Cmt mandou o Ten chefe da garagem "recolher" os macacos dos carros dos tenentes para que eles fossem colocados nas Vtr da OM...pode isso!?!?
Obviamente não preciso dizer que o Cel QEMA tinha um excelente conceito junto aos seus superiores...
É aquela coisa, que ainda não conseguimos extirpar nestes meus 20 anos de serviço...Finge que sua OM é padrão que eu finjo que te inspeciono...na verdade o que importa é a "confraternização" regada a churrasco e cerveja...E o conceito do Cmt!

Anônimo disse...

Não sei se vai ser possível publicar esse texto. Afinal, nestes dias do “politicamente correto”, não se pode mais falar nada. Em todos os casos lá vai: Foi lá pelos idos de 88 (é, sou “véio” mesmo). Soldado recruta, estava eu em forma em uma das tantas paradas de serviço que já tirei. Farda VO engomada – que parava em pé sozinha – coturno brilhando, cabelo zero e tudo o mais. Eis que surge o oficial de dia, pronto para passar a parada em inspeção. O jovem tenente em questão, era conhecido por demonstrar um comportamento meio “esquisito” para a época. Não que tal comportamento tenha deixado de ser esquisito com o passar do tempo, na verdade ficou até comum. Muitos mesmo acreditam que está ficando obrigatório. Mas enfim, os trejeitos do tenente sempre inspiravam gracejos a respeito de sua “alegria”. Mas não era seu comportamento que inspirava preocupação, mas sim seu excesso de zelo e “caxiagem”. De fato, em todas as paradas o tenente cobrava ao extremo, nunca nada estava perfeito e a quantidade de FOs negativos distribuídos por ele em suas inspeções o colocavam no mais alto grau no ranking dos chatos exigentes. Naquele dia também entrava de serviço, como Cabo da Guarda, um sujeito muito conhecido por sua estatura e físico avantajados. De fato, em uma época onde ainda não existiam as academias onde os marombeiros se enchem de farinha láctea misturada com leite em pó, o cabo se destacava por seus músculos, obtidos na dura lida diária do campo. O cabo, também muito exigente em seu serviço, era mais conhecido por ser muito pontual e correto em seu serviço, tanto quanto em sua vida pessoal. Inclusive o mesmo havia recebido a famosa barreta de praça mais distinta, quando recruta, fruto do seu esforço e dedicação. Pois bem, lá estava o cabo, com sua melhor farda, seu melhor coturno, tudo perfeito, quando o oficial se dia se aproxima, gira a cabeça e, olhando-o de cima a baixo, fala sem pestanejar: - Cabelo grande cabo! O efeito sobre o cabo foi imediato. Passados alguns segundos, tempo necessário para que seu cérebro do cabo processasse aquela informação, fazendo-o refletir sobre o dia anterior, revendo todo os passos preparatórios que fizera antes da parada, o cabo finalmente saiu de sua posição perfeita de estátua e, tomando a posição de sentido, bradou: - Senhor, eu cortei o cabelo ontem! Máquina UM! Falando isso o cabo levou a mão à cabeça, passando-a sobre sua careca queimada de sol. Juro. Sem sacanagem. O tenente, que já havia se adiantado alguns passos, parou, tomou a posição de sentido, deu meia volta, aproximou-se do cabo e, segurando um tufo de pelos do peito que saíam pela gola da camiseta do cabo, falou: - O cabelo do peito, seu cretiiinoooo!!!

Anônimo disse...

Na om em q sirvo tem um OF um desses S alguma coisa, q todos os dias vai para parada diaria com sua espada e luvas calçadas vistoriar cabelo, até o pelo q nasce na orelha de alguns seres vivos ele diz q orelha tambem e barba, lança todos os dias mais da metade da equipe de SV, gera um imensidão de FATD's deixa a tropa desmotivada nivel 100, e no final não traz beneficio nenhum para a tropa ou para a diciplina;
Ai senhores eu me pergunto oq q um ser humano desses fala para o neto se ele o perguntar "vovo oq o sr. Faz no quartel" não quero nem imaginar. E muita falta do q fazer de um OF desses o cidadão não produz nada e ainda dificulta o dia a dia de quem mais rala dentro dos nossos quartéis desse brasil.

Anônimo disse...

Boas lembranças e boas risadas, ja tive muitas viaturas de giz. O o mais legal disso tudo aqui é que se contar la fora não acreditam, se insistir te batem. Só não entendi a do esquentadinho la em cima se dizendo decepcionado. Decepcionado com o que se é tudo verdade. Será um Gen da reserva que fazia isso de monte e hoje vê que no fundo morríamos de rir de tudo.

Anônimo disse...

É R-I-D-Í-C-U-L-O este incansável faz de contas que impera no Exército.
Tudo é faz de conta, todos reclamam mas não fazem nada para mudar os status quo quando estão em funções em que lhes é permitido mudar rotinas e regras.
Mas apesar das reclamações, vejo que muitos ficam empolgados com tais atividades.
Típico EXÉRCITO DE BRANCALEONE.

Anônimo disse...

Digo ao comentarista de 15 de setembro de 2014, 12:10 horas, que não há floreio, mas a pura realidade, infelizmente. Pergunta ao meu amigo Elismar que serviu no 36 BIMtz e no CIGE e que agora curte a reserva remunerada lá em Araguari.

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