30 de maio de 2014

Militares na Maré custam R$ 1,7 milhão por dia

Governos já articulam a ampliação do tempo de ocupação da área

Vigilância. Militares e veículos montram guarda numa das entradas do Complexo da Maré
Foto: Agência O Globo / Antonio Scorza
Antonio Scorza (O Globo)
ANTÔNIO WERNECK 
RIO - Convocadas em abril para ocupar o Complexo da Maré, como parte do processo de pacificação da região, as Forças Armadas não fugiram à luta. No entanto, a mobilização de cerca de 2.500 militares (incluindo 200 PMs) tem um custo: cerca de R$ 1,7 milhão por dia. O valor foi revelado no Diário Oficial da União, com a publicação de uma medida provisória (número 642), assinada pela presidente Dilma Rousseff, autorizando um crédito extraordinário de R$ 200 milhões no orçamento do Ministério da Defesa. A quantia tem de ser aplicada especificamente, como diz o texto, “no apoio logístico às forças de segurança pública do Rio”.
O prazo inicial de permanência de Exército e Marinha na região, com apoio de carros de combate e helicópteros, acaba em 31 de julho. No entanto, nos bastidores, os governos federal e estadual já articulam uma saída para que os militares fiquem até o fim do ano (ou seja, depois das eleições). Há dois motivos para isso. Primeiro, a Secretaria de Segurança não tem material humano, no momento, para dar prosseguimento ao processo de pacificação (a Maré vai ganhar uma UPP). Depois, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) acha temerário instalar urnas numa região ainda conflagrada. Nas eleições passadas, o TRE pediu que a Maré fosse ocupada por forças federais.
São 130 mil habitantes em 15 comunidades espalhadas por cerca de dez quilômetros quadrados. Lá dentro, três facções criminosas ainda disputam poder, com armas de guerra — metralhadoras, fuzis e lança-granadas. Operações policiais na área costumam afetar o trânsito em três das mais importantes vias expressas da cidade: as linhas Vermelha e Amarela, além da Avenida Brasil.

Mais de cem suspeitos já presos
As Forças Armadas chegaram com tanques à região no dia 5 de abril. Estão sendo empregados na Força de Pacificação da Maré 1.900 militares do Exército (Brigada de Infantaria Paraquedista), 400 da Marinha (Corpo de Fuzileiros Navais) e 200 da PM. Os resultados já estão aparecendo. Até agora, mais de cem suspeitos foram presos. Os militares também apreenderam fuzis e pistolas, além de terem feito 54 registros de drogas recolhidas em bocas de fumo.
Os militares têm buscado o apoio da população. Através do Disque-Pacificação (3105-9717), já foram recebidas 152 ligações com informações que levaram à localização de pontos de venda de drogas e esconderijos de traficantes.
— Ainda há traficantes no Complexo da Maré. São criminosos do terceiro escalão. As informações que temos recebido são de que ainda existem criminosos na área, mas que o seu efetivo se encontra bem mais reduzido — afirmou o general Roberto Escoto, comandante-geral da Força de Pacificação.
De uma forma geral, as comunidades da região estão dominadas pelos militares. A única região que ainda preocupa é a parte sul do complexo, onde estão localizados o Conjunto Esperança, as vilas do João, Pinheiros e a Favela Salsa e Merengue. Nesses locais, o Exército e a Marinha ainda encontram bocas de fumo funcionando e costumam enfrentar criminosos armados.
O Globo/montedo.com

5 comentários:

Anônimo disse...

Mas para eles, nada!!!!

Anônimo disse...

Volto a escrever aqui o seguinte: há, entre oficiais superiores da Marinha e da Força Aérea, uma grande insatisfação quanto à subserviência do Exército ao aceitar atribuições completamente distintas das previstas na Constituição. Essa insatisfação crescente é preocupante, pois cria um clima de constrangimento entre os oficiais durante as operações conjuntas, notoriamente durante as ações para a Copa do Mundo.
ISSO NÃO VAI TERMINAR BEM!!!

Anônimo disse...

Não é para menos, muitos militares das Forças Armadas parece que estão condenados a ficarem de prontidão para qualquer evento que aconteça nesse pais, sem contar as ações no RJ. É só ter um grande evento que a PM entra em greve e eles são escalados. Não tem ano novo, não tem carnaval, não tem semana santa, não tem copa do mundo, não tem salário digno, não tem quem lute pelos seus direitos, não tem o reconhecimento do governo, não tem lideranças..., não tem nada! Só ficam olhando os outros ganharem reajustes!

Villani98 disse...

Como diriam muitos cavalarianos "cavalo, amante e exército"para se ter deve-se ter dinheiro.
Com certeza está melhor empregado do que se estivesse destinado a outros Orgãos de Segurança Pública, ao menos uma grande parte da Instituição age corretamente, procura cumprir seus deveres, pois estes tem valores morais.
Recebemos aquém do que merecemos: sim, eu penso.
Pelas responsabilidades que assumimos: merecíamos mais,certamente.
Todavia, agir certo, fazer o certo porque simplesmente é ocerto ainda é o caminho para as melhorias. O apoio das esposas, companheiros da reserva que atuam junto ao Congresso é muito importante, e nossas ações embasam às deles, e vice-versa. O ciclo deve ser fechado, mas não vicioso.
Parabéns aos militares pelas suas missões bem cumpridas.
Sem as Forças Armadas não haveria Brasil.

Anônimo disse...

so,que essa verba nao chegar para os praças.que estao arriscando sua vida,e nao receber nada,inclusive a alimentaçao de pessima qualidade,e sem descanso necessario,isso e vergonhoso,para onde foi esse dinheiro.............

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