31 de março de 2014

'Eu era herói, hoje sou bandido', diz capitão do exército sobre golpe de 64

"Eu acho que não é por aí (golpe militar), tem que ter eleições, vá votar, cobre gente decente nos partidos. Militar tem que ficar no quartel."

Carlos Gomes da Silva atuava no RS e hoje é vereador em Piracicaba (SP).
Para ele, fim da ditadura provocou inversão de papéis dos que participaram.
Capitão Carlos Gomes da Silva, Piracicaba (Foto: Thomaz Fernandes/G1)
'Eu era herói e hoje sou bandido. Quem antes era bandido, hoje virou herói.' (Foto: Thomaz Fernandes/G1)
Thomaz Fernandes
Do G1 Piracicaba e Região
'Eu era herói e hoje sou bandido. Quem antes era bandido, hoje virou herói.' (Foto: Thomaz Fernandes/G1)
O capitão Carlos Gomes da Silva vivenciou o golpe de 1964, que ele chama de revolução, como sargento em São Leopoldo (RS). Hoje na reserva depois de atuar em Presidente Prudente (SP), Piracicaba (SP) e Campinas (SP), ele crê que o fim da ditadura também provocou uma inversão de papéis no imaginário brasileiro. "Eu era herói e hoje sou bandido. E quem antes era bandido virou herói." O militar atua como vereador em Piracicaba.
Gomes não apoia grupos que pedem a volta da ditadura militar, mas crê que a história não mostra pontos benéficos da intervenção militar. "Não houve uma revolução, houve uma evolução, nós não podemos distorcer a história. Quando falam de tortura para mim, eu acredito que houve, mas nunca presenciei e nunca pratiquei. Minha preocupação sempre foi com a instituição militar."
Atuando em um dos locais de maior tensão do golpe militar, Gomes recorda-se de ter sido chamado pelo comandante em São Leopoldo para anunciar o golpe. "Ele (o comandante) convocou todos e expôs a situação do país e perguntou a todos qual era o posicionamento. Alguns falaram que defendiam a Constituição, logo o presidente, e na minha vez eu disse que estava ali para seguir ordens. Uma parte foi para casa e eu fiquei."

'Melhor fase'
Integrado ao grupo de "revolucionários", ou golpistas, o capitão relatou ter feito viagens para defender pontos estratégicos do estado e acompanhado manifestações pró-golpe em Porto Alegre (RS). "Foi a minha melhor fase no Exército, pois eu entrei do lado certo sem saber, apenas para cumprir ordens."
Primeiro aluno durante o período de formação militar, vencedor de inúmeras medalhas em competições de tiro, condecorado com medalhas como as Estrelas de Bronze, Prata e Ouro por 30 anos de serviços prestados, a carreira de Gomes sempre foi ascendente e marcada pela atuação no Tiro de Guerra de diversos municípios.

'Fim do rancor'
Sobre o período em que os militares ficaram no poder, Gomes crê que há um rancor entre a população e o Exército oriundo do período. Avaliando a ditadura, ele crê que se Artur da Costa e Silva, presidente entre 1967 e 1969 que entrou para a história por promulgar o Ato Institucional Nº 5, tivesse convocado eleições a imagem do militarismo seria diferente.
"Havia um pensamento do general Costa e Silva de passar para a democracia. Se isso tivesse acontecido, o Exército, hoje, estaria sendo visto de outra maneira. Seria como poder moderador que colocou a casa em ordem e do tipo: 'estava desorganizada, organizei, mas continua sendo sua (povo).'"

Revolução ou golpe?
Enquanto militares institucionalizaram a palavra revolução e a data oficial da tomada de poder em 31 de março, historiadores defendem que o ato foi um golpe militar e que aconteceu em 1º de abril. Gomes defende que o evento foi uma "revolução democrática". "A família conclamou a revolução. Articularam uma enormidade de gente na rua em uma época sem internet. E ninguém quebrou vidros ou amassou carros. Eu lembro de ter visto muitas mulheres e crianças à frente", disse.
Hoje afastado de suas obrigações militares, Gomes é vereador pelo PP. Como ocupante de um cargo eletivo, ele defende o voto. "Eu acho que não é por aí (golpe militar), tem que ter eleições, vá votar, cobre gente decente nos partidos. Militar tem que ficar no quartel."
G1/montedo.com

7 comentários:

Anônimo disse...

ME DESCULPEM AQUELES QUE ACHAM QUE "MILITAR DEVE ESTAR DENTRO DE QUARTEL", OS MILITARES SOMOS PARTE INTEGRANTE DA SOCIEDADE, OS MILITARES DEMOS UM RUMO AO BRASIL E, AGORA, COM OS NOSSOS 5.000.000 DE VOTOS, PODEMOS FAZER A DIFERENÇA, DANDO NOVO RUMO AO BRASIL.VOTE CERTO.

Anônimo disse...

Quero ver mesmo esses 5.000,000 combater os milhares que recebem bolsa família bolsa sei lá o que,bolsa isso,bolsa aquilo,casas e apartamentos de graças e depois vendem não si como!.Acho meio difícil nós vencermos esse bando de assistencialismo! Porque para eles enquanto houver PT no poder e candidatos do PT para votar eles votaram,para não acabar essas bolsas ai não iremos ganhar, pelo menos assim penso eu mas tomara que eu esteja muito errado.Não sou contra dar casas e apartamentos para o povão mas que fixem uma clausula que eles não possam vender este bem adquirido,pois se já se tem essa clausula façam a valer! Agora sou totalmente contra bolsas elas não são utilizadas para o fim que foi criadas mesmo.

Anônimo disse...

Concordo com o comentário do amigo das 10:02. Por pensar que lugar de militar é somente dentro do quartel é que estamos na miséria que estamos. Militar é cidadão, militar tem filho e esposa civis, militar tem que pagar aluguél, militar vota, militar vai a hospital, militar tem que participar em tudo que influencia em sua vida e dos familiares. Chega desse pensamento retrogrado.

Anônimo disse...

Qual é o objetivo da imprensa vcs sabem pq eu não sei? pq ela não mostra as coisas que foram feitas na época a criação de órgãos federais e por ai vai, pq ela não mostra isso alguém consegue explicar pq ela não divulga os estes feitos?Não estou defendendo o regime militar! a unica coisa que quero saber e pq a imprensa não divulga as obras que foram feitas é só isso?

Anônimo disse...

Concordo com o companheiro acima das 20:49.Pois é a mesma coisa que um jornal sair falando somente das coisas boas do governo lula ou das coisas ruins do governo FHC e esquecer de falar as outras é somente ver um lado e não o outro mas como todos sabemos a mídia no brasil é sensacionalista e não tem nenhum compromisso com a verdade, o que lhes interessa e vender qualquer historinha sem pé nem cabeça.

Anônimo disse...

As Forças Armadas não podem atraiçoar o Brasil defendendo privilégios de classes ricas, ou, na mesma linha antidemocrática, servindo a ditaduras fascistas ou síndico-comunistas.Frase de Humberto Castello Branco
Quando as Forças Armadas não têm finalidade dentro de uma 'Doutrina Militar', não faltam grupos políticos ou econômicos dispostos a levá-las para as finalidades que não correspondem à sua natureza, à sua organização e à sua instrução –Frase de Humberto Castello Branco

Anônimo disse...

Pergunte ao vovô e à vovó! Isso mesmo, pergunte às pessoas com mais de 60 ou 65 anos!
Pergunte a eles como foi a época da ditadura militar.
Pergunte se eles alguma vez sentiram que não tinham liberdade. Pergunte se podiam ir aonde quisessem.
Pergunte se eles tinham segurança, se podiam sair à noite sem medo de assaltos.
Pergunte se tinham medo de um assalto à mão armada em suas casas.
Pergunte se alguém conhecido foi preso pelo DOPS, o que é pouco provável; mas se aconteceu, foi porque esse conhecido tinha antes pego em armas contra o governo, ou feito panfletagem ou comício pregando revolução.
Você vai descobrir a verdade real. Não o que uma comissão da verdade composta de simpatizantes do PT vai tentar colocar na cabeça de nossos jovens.
Para que você possa descobrir a verdade verdadeira, não vou escrever o que eu quero que VOCÊ descubra sozinho.
Só lhe digo que tenho mais de 65 anos e aquela foi a melhor época de minha vida.
Se você descobrir uma verdade diferente da que passa na TV, não deixe de repassar a todos que puder.verdaesufocada.

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