29 de agosto de 2013

Sob comando de general brasileiro, tropas da ONU entraram em combate no Congo

ONU reagiu a 'crime humanitário' no Congo, diz general brasileiro
Forças de paz da ONU entraram em combate no Congo após ataques rebeldes a Goma
Luis Kawaguti
Da BBC Brasil em São Paulo

General Carlos Alberto dos Santos Cruz (foto: BBC Brasil)Em meio à escalada da violência na República Democrática do Congo, o general brasileiro que comanda as tropas de paz da ONU no país, Carlos Alberto dos Santos Cruz, afirmou que os rebeldes cometeram um crime de guerra ao bombardear ao menos três vezes a cidade de Goma desde a semana passada.
"Bombardear população civil é crime humanitário", disse Santos Cruz, em entrevista à BBC Brasil. "População civil não é objetivo militar. (Os ataques são) só pra causar o caos e o pânico. (Os rebeldes) querem se tornar importantes no processo político através de uma chantagem humanitária."
"Isso são coisas inadmissíveis. E a ONU reagiu dentro do mandato", acrescentou. "Ela tem que proteger a população civil e também se defender. Principalmente os civis da cidade de Goma."
As tropas da ONU entraram no combate entre rebeldes e forças do governo na última sexta-feira - após os ataques a Goma, que deixaram ao menos cinco moradores da cidade mortos.
Nesta quarta-feira, os capacetes azuis voltaram a atacar o grupo rebelde M23 no distrito de Kibati (a 15 km de Goma) com um esquadrão de helicópteros de ataque e artilharia e infantaria mecanizada. A ofensiva é realizada em conjunto com as forças congolesas.
Ao menos um militar das forças de paz foi morto na ação, e outros dois ficaram feridos. Não há estimativas oficiais sobre o número total de baixas entre os rebeldes e forças do governo.
Fontes médicas locais disseram que só no fim de semana aproximadamente 60 rebeldes e 20 soldados congoleses morreram nos combates. Mais de 700 pessoas teriam sido feridas. Os combates chegam ao sexto dia consecutivo.
"Estamos tomando todas as ações e usando todos os nossos meios para eliminar a ameaça ou ao menos empurrar os rebeldes para longe da cidade (de Goma), fora do raio de alcance dos canhões deles", disse o general.

Dinâmica da missão
O M23 é o maior dos cerca de 50 grupos rebeldes que atuam na região dos Kivus, no leste do Congo. Ele é formado por ex-militares congoleses, a maioria da etnia tutsi, contrários ao governo central. A ONU e os Estados Unidos suspeitam que eles recebam ajuda militar do país vizinho Ruanda.
Os rebeldes chegaram a capturar Goma em novembro do ano passado e só deixaram a cidade após forte pressão diplomática e negociações de paz.
Porém, no dia 14 de julho, o governo e o M23 voltaram a se enfrentar em um combate de larga escala.
O general Santos Cruz, que havia assumido o comando da missão pouco mais de um mês antes, decidiu não interferir na campanha – enquanto a população e as tropas da ONU não vinham sendo alvo da violência.
Mas a situação mudou com os bombardeios a Goma. "A dinâmica da missão mudou porque a missão foi atacada e porque a população civil foi atacada de maneira indiscriminada", afirma o militar brasileiro.
Brigada de Intervenção
Depois que Goma foi invadida no ano passado, o Conselho de Segurança da ONU aprovou um mandato sem precedentes para as forças de paz no Congo. Além de embasamento jurídico para atacar os rebeldes, a operação de paz foi autorizada a montar uma unidade militar especial chamada de Brigada de Intervenção – com o objetivo de atacar os grupos armados.
Ela será composta por 3 mil militares e contará com forças de artilharia, blindados pesados, helicópteros de ataque Mi-24 e unidades de forças especiais.
Santos Cruz disse à BBC Brasil que a brigada ainda está incompleta, à espera de militares do Malauí.
"Nós estamos esperando, e dentro de um mês vai chegar o terceiro e último batalhão. A brigada está a dois terços da sua força total, um pouco mais, mas ainda falta aí 25%. É um bom reforço que a gente está precisando", afirmou o brasileiro.

Inquérito
No último sábado, um grupo de manifestantes tentou invadir uma base da ONU dentro de Goma. Eles protestavam contra o que alegavam ser a incapacidade dos capacetes azuis de proteger a cidade.
Na ocasião, militares uruguaios da missão de paz mataram dois manifestantes na tentativa de impedir a invasão.
A ONU abriu uma investigação sobre o caso. Santos Cruz afirma que as circunstâncias e responsabilidades devem ser apuradas.
O brasileiro acrescenta que há suspeitas de que grupos de moradores de Goma estejam sendo "manipulados" por pequenos grupos supostamente ligados aos rebeldes, para se voltar contra a ONU.
O general diz ainda que a ONU continuará apoiando o Exército congolês na campanha contra o M23. Ele afirma, porém, que os rebeldes ainda têm tempo para abandonar o confronto e optar por uma solução política para o conflito – retornando à mesa de negociações em Kampala, Uganda.
BBC/montedo.com

16 comentários:

Anônimo disse...

Será que pedirão voluntários no EB para combater no Congo?

Tá cheio de corajosos, querendo ir !

Aqueles que no dia a dia não podem nada, mas quando tem diárias, podem tudo.

Anônimo disse...

E tu "29 de agosto de 2013 08:14"? Vai peruar?

Major R/1 P disse...

General brasileiro comandando em uma Guerra Real ? Não vai dar certo, só combateu de mentirinha na fazenda Boa Esperança e no Gericinó, depois só os exercícios com diárias na EsAO e EsCEME.

Anônimo disse...

Na "EsCEME"?

Anônimo disse...

Não temos hoje na ativa nenhum militar com a experiência de combate real que ele tem e terá. todos os outros, só embuste. Ah, e operações tipo polícia não contam, pois até a guarda municipal faz. Torço pelo sucesso do General, ao contrário da Força, que parece ignora-lo.
Honório.

Anônimo disse...

Major R1- complexo de vira-lata

Major R/1 Pantoja disse...

EsCEME : Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

Anônimo de 30 de agosto de 2013: Militar resolvido !

Militar resolvido disse...

Anônimo de 29 de agosto consulte o C 21-30.

Cachorro que segue regulamento disse...

De acordo com o C 21-30 : Abreviatura de Escola: Es

Leão de Alojamento disse...

Não seguir o regulamento é o fim da picada, precisa ser diferente em tudo!

Natan Donadon - Presidiário e Evangélico disse...

Exército de embusteiros!!!!

Anônimo disse...

Chega de besteiras, o Major R/1 P errou, o certo é ECEME de acordo com o MD33-M- 02 (3ª edição /2008).

Anônimo disse...

Os pracinhas da FEB também não tinham instrução e treinamento,mas fizeram bonito contra os Alemães na 2° guerra.Esse General tem cara de durão,aposto que dá conta do recado.Com uma arma na mão e o medo de morrer,qualquer ser humano se torna um assassino de 1° linha,e é isso que importa em uma guerra,destruir o inimigo...o resto é burocracia.

Anônimo disse...

Montedo,obrigado mas peço-lhe perdão pelo meu comentário.No lugar de "assassino" leia-se "combatente".Não quero passar por psicopata.E que eu ainda sou novinho e tenho entusiasmo pela carreira,e não aceito civis inocentes morrerem pelas mãos de terroristas.Respeito a frustração dos antigões,só Deus sabe o que eles passaram.Valeu.

TADEU T. disse...

BOA SORTE GENERAL...PELO MENOS NO SENHOR TENHO FÉ!O ÚNICO DO SEU POSTO EM TODO O EXÉRCITO QUE CONFIO!MAS TOME CUIDADO PARA NÃO SER FEITO DE "INOCENTE ÚTIL" NAS MÃOS DOS QUATRO ESTRELAS QUE ESTÃO EM BRASÍLIA!

Anônimo disse...

Acompanho essa nova missão do nosso General Santos Cruz desde sua nomeação para comandá-la. Nunca o vi pessoalmente nem o conheço, mas já admiro pela sua indicação e não refugá-la, pois uma coisa sei, jamais a ONU iria colocar um incompetente para comandar essa missão no Congo. Desejo sim, muito sucesso ao nobre militar que veste o mesmo camuflado que eu visto há quase 30 anos. Como disse um companheiro neste blog, desconheço algum militar tão antigo na ativa com a experiência do velho General. Sucesso General!!! Ao término da missão, tenho a certeza que voltará prá casa com o sentimento do dever cumprido. Brasil!!! Sertão!!!

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