26 de março de 2013

ONU consulta e Brasil avalia envio de tropas para missão de paz no Líbano

ONU 'demonstra interesse em um batalhão do Exército', diz diplomata.
Com saída de militares do Haiti, Itamaraty e Defesa estudam hipótese.

Tahiane Stochero
Brasil reduz tropas no Haiti e muda foco de missão (Foto: BBC)
Brasil, que já possui tropas do Exército no Haiti,
estuda mandar um batalhão para o Líbano
a partir de 2015 (Foto: BBC)
Os ministérios de Relações Exteriores e da Defesa estudam a possibilidade do Brasil enviar tropas terrestres para a missão de paz da ONU no Líbano (Unifil), encarregada de monitorar o conflito na região desde 1978. A informação foi confirmada por ambas as pastas.
A análise começou após a Organização das Nações Unidas (ONU) consultar o Brasil, no final de 2012, sobre a possibilidade do Exército enviar militares à missão. O Brasil já participa da Unifil desde 2011 com 250 homens da Marinha que ficam em alto mar, em uma fragata, e lideram uma força naval da ONU que tem como objetivo impedir a entrada de armas pelo mar ao Líbano.
Segundo diplomata Camilo Licks Rostand Prates, integrante da Missão Permanente do Brasil junto às Nações Unidas, em Nova York (EUA), “a ONU, como parte de seus contatos habituais com o Brasil, tem manifestado interesse em ter um batalhão do Exército no Líbano", disse.
O G1 apurou que o Comando de Operações Terrestres (Coter), a unidade operacional do Exército, recebeu uma consulta, enviada pelo Itamaraty ao Ministério da Defesa, para avaliar que tipo de tropa e quando o Brasil poderia mandar soldados para a missão de paz no Líbano.
A ideia inicial da ONU era que o Brasil enviasse um batalhão no 2º semestre de 2014. O Exército respondeu que a melhor hipótese seria o envio de um batalhão no 1º semestre de 2015, após a Copa do Mundo, quando os militares serão empregados em diversas ações de defesa e segurança.
O Ministério da Defesa confirmou que “há um pedido da ONU” para envio de tropas para o Líbano, e a Defesa "tem levantamentos" e “um estudo em andamento”. O órgão diz que não há “nenhum parecer favorável” sobre o caso.
Segundo a Defesa, não há prazo para os estudos serem concluídos, pois qualquer decisão passará pelo ministro Celso Amorim, que está em férias.
A ONU deveria contar hoje com 15 mil soldados no Líbano, mas em 31 de janeiro de 2013 tinha 11.026 no terreno - a maioria de países europeus, liderados por um general da Itália. Em 2012, devido à crise europeia, alguns países - como Espanha e França - retiraram seus militares. Desde então, as Nações Unidas buscam novos contribuentes.
"A ONU, como parte de seus contatos habituais com o Brasil, tem manifestado interesse em ter um batalhão do Exército no Líbano. Pelo que entendo, esse é um assunto que está sendo considerado ainda" 
Camilo Prates, diplomata

Conflito na Síria
Fragata Liberal está atraca no Porto de Natal (Foto: Jocaff Souza/G1)
Brasil já participa da missão de paz no Líbano com 
uma fragata que tem 250 soldados
(Foto: Jocaff Souza/G1)
Além de reforçar o contingente defasado, a ONU buscaria manter no Líbano uma tropa preparada para deslocar rapidamente em caso de cessar-fogo na Síria, onde uma guerra civil já deixou mais de 70 mil mortos e milhões de refugiados em dois anos.
Segundo um diplomata, a ideia de se manter tropas preparadas no Líbano facilitaria um desdobramento rápido em caso de acordo que permitisse a criação de uma missão de paz e de ajuda humanitária na Síria liderada por capacetes azuis.
O Itamaraty diz que a “ONU tem feito consultas a vários países contribuintes" para missões em um processo normal de renovação de contingente e que tem procurado o Brasil para participar. O ministério diz que “há avaliações e discussões em andamento” sobre diversos locais, entre eles o Líbano, mas que ainda não há nenhuma decisão.
Leia também:
Brasil avalia envio de militares do Exército para missão no Líbano
Retirada do Haiti
Um dos motivos pelo qual interessaria ao Brasil enviar tropas do Exército ao Líbano é a retirada de um batalhão, em maio de 2013, do Haiti, onde o Brasil lidera desde 2004 uma missão de paz. O Exército possui no Haiti 1.910 soldados, sendo que cerca de 850 foram incorporados para ajudar no terremoto de 2010, que deixou mais de 300 mil mortos.
Como o reforço da tropa não é mais necessária, o Conselho de Segurança determinou a retirada. A intenção da ONU é que o Brasil mandasse este batalhão para outra missão de paz, conforme revelou em entrevista exclusiva ao G1, em setembro de 2012, o vice-chefe de missões de paz das Nações Unidas, Edmond Mulet, durante visita ao Rio de Janeiro.
Conforme o ministério da Defesa, o Brasil participa de missões de paz nas quais "possa fazer a diferença", como no Timor Leste, Angola e Haiti. O Líbano poderia se enquadrar nesse quesito, já que o Brasil possui a maior comunidade de libaneses fora do Líbano – são quase 8 milhões, segundo o governo libanês.
Como a previsão também é que a missão de paz no Haiti tenha uma retirada militar entre 2014 e 2016, devido a melhorias na infraestrutura e na polícia do país, interessaria ao Brasil manter uma tropa empregada em missões de paz pelo mundo.
Caso haja um acordo entre Itamaraty e Defesa sobre quando os militares podem ser enviados, o caso será levado à presidente Dilma Rousseff. Após o aval dela, é que o governo pode negociar com a ONU quando os soldados brasileiros podem ser empregados no Líbano e também com o Congresso, que deve aprovar o envio de tropa ao exterior.
G1/montedo.com

17 comentários:

Anônimo disse...

Absurdo! se não bastasse a falta de valorização do profissional ainda querem mandá-los para o covil. Eles precisam proteger é o nosso país, nossas fronteiras, o Líbano não é um problema do Brasil

Anônimo disse...

Quero ver aparecer voluntários agora...

será que o pessoal do Exército de Brasília vai continuar sendo 50% do efetivo nas missões no exterior ?????????

Será que vai continuar tendo Sub indo na vaga de 3º???????????????

Seria bom que realmente acontecesse pra ver se o EB deixa de ser politicagem e passar a um Exército.

Anônimo disse...

Sinceramente, pessoal? Eu espero que sim, que o Brasil envie tropas.

O salário pago pela ONU faria muito bem ao meu bolso, assim como fez nas duas vezes que fui ao Haiti, uma em 2006 e outra em 2008.

2º Sgt Inf

Anônimo disse...

Vc foi um dos poucos entre milhares que desariam ir para recompor a perca salarial...acho que não é bem por aí enh colega, vc esta sendo egoísta e ainda faz questão de dizer que "foi duas vezes"...para começar a Comissão de escolha não tem critérios justos...ai complica!!!

Anônimo disse...

É verdade, 14:13.

Mas eu creio que mereci ir. Sou fluente em inglês e sei francês, apesar de não ser fluente; sempre tive conduta impecável e me destaquei na minha turma.

Vai do bom senso dos nossos superiores, anônimo. Não acho que estou sendo egoísta, pois cada um de nós busca o melhor para si. Lamento pelos meus amigos que desejavam ir mas não conseguiram, de verdade, mas dizer que é egoísmo não é verdade.

Anônimo disse...

Temos que ver com muito bons olhos estas missões de paz, pois atualmente é a única forma de nossas FFAA se manterem adestradas e voltadas para a atividade operacional.
As missões de paz tipo "Peacekeeping" ou "peace enforcement" (manutenção da paz ou imposição da paz)são operacões reais mais próximas de operações de guerra que o Brasil pode realizar.
Sem falar no lado financeiro, que é uma boa ajuda para o nosso orçamento pessoal, porém a meu ver, não deve ser o pricipal atrativo da missão, pois já participei da missão do Haiti.
O ganho principal da missão de paz é a experiencia pessoal e profissional de conhecer outros países, culturas,trabalhar com militares de outras FFAA (Marinha , FAB,EB ) , bem como de outros países da ONU.
Portanto, se vier missão para o Iraque, Afeganistão, Coréia do Norte, até pra Marte é lucro.
Como diz o bordão: "isso não tem preço".

Anônimo disse...

Foi duas vezes né? Hummmm já entendi tudo... Conheço tipos como você aos milhares. Essa missão do Haiti é uma vergonha, a seleção é feito com base no apadrinhamento. Você foi por seus méritos né! Fala francês? Au revoir, companheiro.

Anônimo disse...

Opa! Tô dentro!
Infa Brasil!

Anônimo disse...

19:26 não seja tão presunçoso e recalcado.

É verdade que a grande maioria foi por apadrinhamento, mas eu nunca puxei o saco de nenhum superior. Nunca! Respeito e cordialidade rege minhas relações não só com meus superiores, mas com todas as pessoas.

Gosto desse blog, mas é uma pena que a desunião e recalque dominem a cena.

Anônimo disse...

A ONU paga por cabeça, ak dividem a verba e determinam qto cada um vai receber, de Sd a Gen.
Ai aparece STen em função de Sgt, recebendo como Sub, Cel em função de capita, Ch. de sei lá o que, recebendo como Cel... é o EB.
Pergunte pra qualquer Sd que foi pro Haiti, se for pelo salário vale a pena... Faça o mesmo com um Of Sup.. Claro que deve haver diferença de salário...mais precisa tanta...

Anônimo disse...

Tropa adestrada em missão de paz? Quer dizer que apartar briga de rua no Haiti é se adestrar para a atividade fim que é a guerra? Olhem onde estão os exércitos dos países de primeiro mundo? Vê se eles se envolvem em missão de paz? Estão sempre metendo acara no olho do furacão, se adestrando, testando novas armas e equipamentos em ambientes de guerra. Não quero, de jeito nenhum, desmerecer nossos militares que são ótimos profissionais e que não tem culpa nenhuma dessa insanidade promovida por esse governo.

Anônimo disse...

Trabalho em Brasília e afirmo, já estão certas estas missões.

Anônimo disse...

Missão de Paz para adquirir experiência!? É missão para pagar suas dívidas ou para comprar um carro novo. A família? "a família que dane, quero é um carro novo para mostrar aos amigos!" Conheço um que foi 4 vezes para essa missão. Mas também conheço sua "família". É muito triste, mas fazer o quê? escolheu o carro.

Anônimo disse...

Mas sejamos prudentes ao fazer certos comentários, pessoal. O Líbano não é o Haiti.

Anônimo disse...

Só uma guerra pode salvar esse exército. Essas operaçoes de fachada para promover políticos e atender os apadrinhados, só servem mesmo para isso, além de criar um ambiente de discórdia. Eu particularmente, nunca fui voluntário para tais missões, embora seja fluente em inglês e espanhol. Não pauto minha vida em função de dinheiro. Quero, assim como todos uma remuneração digna, mas não me vendo, nem apago minha personalidade para agradar a ou b com o intuito de receber benefícios em troca. Os critérios dessas missões são os mesmos de qualquer "boca boa", não há nenhum mérito. Ninguém vai para uma missão dessas por ato de grandeza ou por vestir a camiseta, é tudo uma questão de dinheiro e promoção. Não culpo quem faça parte desse esquema, pois em situações de miséria estabelecem-se desvios de critérios, de conduta e comportamento.

Anônimo disse...

Na minha OM tem um militar do rancho que rea "imexível", não podia tirar serviço, não podia participar de missão porque era o melhor cozinheiro... Foi para o Haiti depois de ligar para um General ex-comandante da OM, que apreciava a comida do militar em questão, e lá se foi o cidadão "imexível" para o Haiti para ajudar a fazer obra, não foi cozinhar. Essa é a realidade das seleções dos nobres, solidários e prestimosos militares que se voluntariam para as missões de paz (R$).
E o mais impressionante é que tal militar relatou que durante o estágio preparatório para a missão vários militares eram desligados após alguns meses e no lugar deles vinham um monte militares de Brasília após vários telefonemas (de Generais) recebidos pelo Coronel responsável pela coordenação do estágio.

Anônimo disse...

O grande bizú é vir para Brasília então...

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