17 de março de 2013

Marinha mantém militares nos EUA com altos salários e sem função

Juntos, 13 servidores receberam pelo menos R$ 2,5 milhões desde fevereiro de 2012

VINICIUS SASSINE (O Globo)
BRASÍLIA — A Marinha do Brasil mantém 13 militares no Arizona, nos Estados Unidos, para monitorar a execução de um contrato de modernização de aeronaves suspenso desde julho de 2012. Os servidores brasileiros moram nas cidades americanas de Mesa e Gilbert, recebem salários acima da média paga no Brasil e estão sem função desde a paralisação completa dos serviços.
Um capitão de fragata, três capitães de corveta, um capitão-tenente, dois suboficiais e seis sargentos receberam, juntos, pelo menos US$ 1,27 milhão (R$ 2,5 milhões, pela cotação do dólar de sexta-feira) em salários brutos desde a chegada aos Estados Unidos, em fevereiro de 2012. A partir da suspensão dos serviços, os salários pagos ao grupo somam US$ 728,8 mil (R$ 1,4 milhão). Uma portaria do comando da Marinha prevê que os militares só retornem ao Brasil em 5 de março de 2014.
Os pagamentos de salários a militares sem função nos Estados Unidos ampliam o risco de prejuízo aos cofres públicos em razão do contrato assinado entre a Marinha e a Marsh Aviation Company, empresa localizada no Arizona. A Diretoria de Aeronáutica dispensou a realização de licitação e contratou a Marsh em outubro de 2011, ao custo de US$ 69,1 milhões — ou R$ 121,7 milhões, pela cotação do dólar no momento da assinatura do contrato. Cabe à empresa norte-americana modernizar e remotorizar quatro aeronaves C-1A Trader, transformando-as em KC-2 Turbo Trader, que pousam em porta-aviões.
Cinco meses depois da assinatura do contrato, a Marinha fez o primeiro pagamento à Marsh, de US$ 7,2 milhões (R$ 12,3 milhões). A empresa já era investigada pelo FBI e, em julho de 2012, foi impedida pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos de fornecer serviços de defesa. A Marsh foi acusada de violar a lei norte-americana de controle da exportação de armas, ao fornecer equipamentos de aviões militares à Força Aérea da Venezuela, entre 2005 e 2008. O Departamento de Justiça dos EUA incluiu a investigação na lista dos principais casos de espionagem e negócios secretos descobertos pelo governo.
Mesmo com as investigações em curso, a Marinha fez novos empenhos — promessas de pagamento — à Marsh de US$ 8,1 milhões (R$ 14 milhões). Diante da notificação à empresa pelo Departamento de Estado, os empenhos foram cancelados em novembro. “Este fato acarretou na perda momentânea das condições jurídicas necessárias para que a empresa continuasse a fornecer os serviços contratados”, diz a Marinha, em resposta a O GLOBO.
A modernização das aeronaves não é a única previsão feita em contrato. Cabe à Marsh treinar 12 aviadores e 71 especialistas em manutenção de aeronaves e motores.

Salários pagos a oficiais fora do país chegam a R$ 20 mil
Os 13 militares que permanecem no Arizona foram escolhidos pelo gabinete do comando da Marinha. Eles formam o Grupo de Fiscalização e Recebimento das Aeronaves em fase de modernização nos Estados Unidos e cumprem missão transitória no exterior, com mudança de sede e acompanhados da família. Os principais integrantes do grupo são encarregados e oficiais de manutenção, de engenharia, de aviônica e de abastecimento.
A Marinha não divulga as remunerações dos 13 militares no Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União (CGU), em desrespeito à Lei de Acesso à Informação. Ao jornal, o Centro de Comunicação Social informou apenas os salários brutos pagos aos servidores. A maior remuneração é paga ao encarregado do grupo, o capitão de fragata Mauro Olivé Ferreira. O salário bruto é de US$ 10,5 mil (R$ 20,7 mil). Guilherme Padão, capitão de corveta e oficial de manutenção, tem remuneração bruta de US$ 9,5 mil (R$ 18,9 mil). Conforme a Marinha, não há pagamento de salários acima do teto constitucional, equivalente à remuneração de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que, após aprovação do orçamento, passou a ser de R$ 28.059,29.
Quatro militares usam as redes sociais para divulgar as viagens feitas com a família pelos Estados Unidos, durante a permanência no país. O GLOBO deixou recado para os quatro, entre eles Mauro e Guilherme, que não responderam. Em conversa por telefone, outro integrante do grupo disse que a “delicadíssima situação” deveria ser tratada em Brasília.
A Marinha sustenta que o grupo continua a fiscalizar o contrato com a Marsh, com acompanhamento da situação jurídica, assessoria sobre aplicação de penalidades à empresa, revisão do novo cronograma de entrega das aeronaves e reuniões periódicas com os representantes do empreendimento. “A Marinha entende que o contrato será retomado e, por este motivo, o grupo de fiscalização permanece dando suporte. O contrato está sendo renegociado com a empresa, visando à plena retomada até maio de 2013.”
Segundo a Marinha, a Marsh foi inocentada pelo Departamento de Justiça em outubro de 2012, o que permitiria a volta da prestação dos serviços. Está previsto um termo aditivo, com entrega da primeira aeronave em dezembro de 2014, conforme o Centro de Comunicação Social. “Visando à proteção dos recursos públicos, a Marinha está retendo o pagamento inicial de US$ 7,2 milhões.”
Extra/montedo.com

8 comentários:

Anônimo disse...

Só peixe de almirante.

Anônimo disse...

E os almirantes querendo que os praças usem bilhete único. Que vergonha!

Anônimo disse...

"Anônimo disse...
Só peixe de almirante.

17 de março de 2013 14:45"

Não acredito.....


Anônimo disse...

Hahahahahaha! Quando há praças o cara é peixe de almirante kkkkkkkk!
Isso é uma piada!

Anônimo disse...

Já trabalhei com esse Olivé e o Padão. A marinha está cada vez mais uma piada. Nunca tem dinheiro pra nada que se refere à praças, já os whiskys de 18 anos continuam nas praças d'armas...

Anônimo disse...

Enquanto isso no HCE só existe marcação para ultrasonografia as quartas feira,tendo que chegar as 03:00hs, pois as 04:00 já não tem mais número.Pobre família militar.

Anônimo disse...

Isso é matéria tendenciosa com certeza.. Isso é apenas uma pequena parcela dos gastos desse governo corrupto que gasta muito mais que isso com coisas que não voltam para o contribuinte. Esses caras estão "fiscalizando" uma compra do governo brasileiro e não desviando do povo como fazem os parlamentares. O dinheiro que eles ganham são para se manter e viver la fora. Tem q receber auxilio moradia mesmo pq nos EUA um aluguem em casa de médio porte é 2000 dolares. A marinha peca sim na seleção das praças, mas eles estao la sim reprensantando a marinha e o país. Ao meu ver não existe problema algum nesses gastos, não há roubo de cofres públicos e o dinheiro que os militares ganham são para custeio próprio.

Anônimo disse...

enquanto na policlínica Naval de MANAUS não existe profissionais suficientes para dar conta do recado do efetivo da região.o que a Marinha fez? UM CONVENIO COM O HOSPITAL ADVENTISTA ( civil ) que a cada passo dado dentro desse hospital lhe é cobrado no contracheque. que porra de convenio é esse? MINHA MAIOR VERGONHA É TER QUE ME SUBMETER A ISSO.... MAS TENHO FÉ EM DEUS.

Arquivo do blog

Compartilhar no WhatsApp
Real Time Web Analytics