16 de dezembro de 2012

'Não é bom para o Haiti', diz Amorim sobre presença da MINUSTAH por tempo indeterminado

Amorim critica presença de tropas no Haiti por tempo indeterminado

Bruno Garcez
Enviado especial da BBC Brasil a Moscou
Celso Amorim / Agência Brasil
Celso Amorim criticou presença por tempo indeterminado
 de tropas no Haiti
O ministro da Defesa, Celso Amorim, criticou neste sábado a presença por prazo indefinido das tropas internacionais no Haiti e condicionou uma eventual retirada definitiva dos militares ao aumento dos investimentos em infra-estrutura no país.
''Não é bom para o Haiti, que é no caso o que mais importa, nem pra ninguém, que as tropas fiquem lá indefinidamente", disse Amorim em Moscou, na Rússia.
O ministro da Defesa estava na cidade até este sábado como um dos integrantes da delegação oficial brasileira que acompanhou a presidente Dilma Rousseff em sua visita oficial ao país.
O Brasil exerce o comando militar da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, conhecida pela sigla Minustah, e possui o maior número de soldados mobilizados no país entre 18 nações.
Amorim disse não poder falar em um possível "prazo" para a retirada dos soldados. Segundo ele, é preciso primeiro investir em melhorias no país que permitam diminuir sua dependência da ajuda internacional.
O Haiti é o país mais pobre do Ocidente e foi devastado por um terremoto em 2010 que matou cerca de 250 mil pessoas.
''Não temos por que nos preocupar com prazo. Neste ano, vai haver uma diminuição ao longo do ano dos militares brasileiros, de 400 soldados. A ideia é levarmos (o número do contingente) a níveis pré-terremoto'', disse o ministro.
Para Celso Amorim, o plano de retirada definitiva, no entanto, tem de ser feito com a coordenação da ONU e depende do investimento internacional.
''A ideia é que haja desenvolvimento no Haiti, que é a maneira de realmente diminuir substancialmente o problema da segurança'', afirmou.
Mas o titular da Defesa acredita que um possível efeito colateral negativo da presença das tropas comandadas pelo Brasil seja uma "sensação de conforto" por parte da comunidade internacional.
''Com as tropas brasileiras lá e outras sul-americanas, que são a maioria, dando a impressão de que poderiam ficar indefinidamente, cria uma sensação de conforto. A tão propalada comunidade internacional pode dizer "ah, tudo bem, por que os brasileiros estão lá garantindo", mas o que é preciso são recursos para o desenvolvimento.''

Parceria com a Rússia
Na Rússia, Amorim firmou algumas parcerias com o setor de Defesa russo, entre elas uma que estabelece a aquisição de helicópteros militares.
Em janeiro de 2013, uma delegação comandada pelo Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, o general José Carlos De Nardi, virá ao país para negociar uma possível colaboração no setor de defesa antiaérea.
O general estará acompanhado dos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica e de representantes da iniciativa privada.
Para Amorim, a experiência da Rússia no setor poderá ser importante para o Brasil.
''Com o Brasil se tornando a sexta economia mundial, com as riquezas que a gente tem, temos a consciência de que o país tem de cuidar progressivamente de sua defesa'', disse.
BBC Brasil]/montedo.com

Um comentário:

Anônimo disse...

Se acabar a missão do HAITI o Exército pára, os Generias perderão as boquinhas nas missões de comitivas que vem e vão para o HAITI "fiscalizar" as atividades da tropa. Enfim... muito dinheiro o exército deixará de ganhar no orçamento se a "galinha dos ovos de ouro" (MINUSTAH) acabar. Missão do haiti gera muitos contratos com empresas (manutenção, fornecimento de eqp, fornecimento de alimentos, "consultorias técnicas especializadas", etc...etc) e muitos militares da reserva e da ativa estão ganhando dinheiro vendendo "soluções" para os problemas do HAITI. Problemas que eles gostariam que fossem prolongados.. prolongados...
Onde os generais brincarão de WAR se a missão do HAITI acabar?

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